A intensificação do conflito no Oriente Médio, agora envolvendo diretamente potências regionais e ataques coordenados entre Israel, Estados Unidos e o Irã, colocou o Brics diante de seu maior teste de coesão desde a expansão decidida em 2024.
O que antes era um bloco focado em cooperação econômica agora se vê forçado a navegar por um campo minado diplomático, onde a solidariedade interna colide com alianças militares e dependências comerciais.
Racha interno: entre a condenação e a cautela
A entrada do Irã no bloco alterou a dinâmica das cúpulas. Teerã tem pressionado por uma postura mais assertiva do grupo, classificando as ofensivas israelo-americanas como “agressão militar”.
No entanto, a unidade é dificultada pela presença de novos membros como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, que, embora busquem autonomia, mantêm laços de segurança históricos com Washington e possuem rivalidades regionais complexas com o regime iraniano.
Recentemente, a falta de consenso forçou o cancelamento de reuniões ministeriais de alto nível, evidenciando que o BRICS ainda não possui uma arquitetura de segurança comum.
O papel do Brasil e o ‘caminho do meio’
O Itamaraty tem adotado uma linha de equilíbrio. Se por um lado o governo brasileiro condena ataques que ferem a soberania territorial como os bombardeios recentes ao território iraniano, por outro evita alinhar-se totalmente à retórica de guerra de Teerã.
Analistas apontam que o Brasil teme que a “securitização” do BRICS afaste o foco de pautas históricas, como a reforma do Conselho de Segurança da ONU e a desdolarização do comércio. “O BRICS nunca foi uma aliança militar. Tentar transformá-lo nisso agora, em meio a uma guerra de tamanha magnitude, pode paralisar o bloco”, afirma um diplomata ouvido pela reportagem.
Fator econômico: estreito de Ormuz e o petróleo
Para além da diplomacia, o grupo observa com apreensão o preço do barril de petróleo, que já ultrapassou a marca dos US$ 100. A ameaça de fechamento do Estreito de Ormuz por onde passa grande parte do suprimento energético mundial une os membros em um único desejo: a estabilidade das rotas comerciais, mesmo que as razões políticas para isso divirjam.





