Praça Roosevelt pode mudar de nome em contrato de R$ 55 milhões

Projeto de concessão da prefeitura autoriza venda de naming rights e prevê investimentos de R$ 55,8 milhões no complexo

Vista da Praça Roosevelt, no Centro de São Paulo, que poderá ter o nome alterado por meio de parceria com a iniciativa privada

Gestão Nunes libera venda do nome da Praça Roosevelt à iniciativa privada /Divulgação/Prefeitura de São Paulo

A tradicional Praça Roosevelt, no Centro de São Paulo, poderá deixar de ser identificada apenas pelo nome atual e passar a carregar a marca de uma empresa privada.

Continua após a publicidade

A possibilidade está prevista em um projeto de concessão colocado em consulta pública pela Prefeitura de São Paulo, que autoriza a comercialização dos chamados naming rights do espaço por até 20 anos.

Pelo modelo proposto, a futura concessionária poderá negociar os direitos de nomeação da praça com empresas interessadas. Em contrapartida, o município ficará com 20% da receita bruta obtida com a operação.

Gestão privada por duas décadas

A medida integra a concessão do chamado Complexo Roosevelt, que prevê a transferência da gestão do espaço para a iniciativa privada durante 20 anos.

Continua após a publicidade

Além da praça, o contrato inclui o estacionamento subterrâneo, o Belvedere Roosevelt, áreas localizadas sob o Minhocão e a Rua Gravataí.

O chamamento para consulta pública foi publicado no Diário Oficial na última quarta-feira (3/6). A audiência pública está marcada para a próxima quarta-feira (17/6), às 10h, em formato virtual.

Já as contribuições da população poderão ser enviadas até o dia 1º de julho por e-mail à administração municipal.

Continua após a publicidade

Prefeitura não divulga estimativa com naming rights

Apesar de prever o compartilhamento da arrecadação gerada pela venda dos naming rights, a Prefeitura de São Paulo não informou quanto espera arrecadar com a medida.

O plano de negócios da concessão estima receita anual de R$ 4,6 milhões provenientes da exploração de estacionamento, publicidade, eventos e quiosques instalados no complexo.

No entanto, o documento não apresenta projeções específicas para a comercialização do nome da praça.

Continua após a publicidade

O que são naming rights?

Naming rights são contratos que permitem que empresas associem suas marcas ao nome de espaços públicos ou privados mediante pagamento.

O modelo já é utilizado em estádios, arenas, centros esportivos e equipamentos urbanos em diversas cidades brasileiras.

Restrições para adquirir o nome da praça

A minuta do contrato estabelece uma série de limitações para empresas interessadas na exploração dos naming rights.

Continua após a publicidade

Não poderão participar empresas ligadas a:

  • Bebidas alcoólicas;
  • Cigarros;
  • Drogas;
  • Apostas esportivas;
  • Armas;
  • Conteúdo adulto;
  • Partidos políticos;
  • Entidades religiosas.

Também ficam impedidas pessoas físicas ou jurídicas envolvidas em casos de corrupção, crimes graves ou exploração de trabalho escravo.

Segundo a proposta, toda identificação visual relacionada aos naming rights deverá respeitar as regras da Lei Cidade Limpa e, quando necessário, obter autorização dos órgãos de preservação do patrimônio histórico.

Continua após a publicidade

Investimentos de R$ 55,8 milhões

De acordo com a prefeitura, a concessão deverá movimentar aproximadamente R$ 55,8 milhões ao longo dos 20 anos de contrato, considerando investimentos, despesas operacionais e pagamentos ao município.

O projeto prevê cerca de R$ 8 milhões em investimentos iniciais. Entre as intervenções previstas estão:

  • Reforma dos quiosques;
  • Recuperação do pergolado;
  • Ampliação do cachorródromo;
  • Melhorias no sistema de drenagem;
  • Requalificação da Rua Gravataí.

A proposta também prevê a integração da via ao Parque Augusta.

Continua após a publicidade

Pagamento mínimo de R$ 2,96 milhões

O edital estabelece que a empresa vencedora da licitação deverá pagar pelo menos R$ 2,96 milhões para assumir a gestão do complexo.

Vencerá a disputa a proposta que apresentar a maior oferta acima desse valor.

Além da outorga inicial, a concessionária será responsável por pagamentos periódicos ao município e pelo compartilhamento de parte das receitas obtidas com a exploração econômica do espaço.