Tensão entre Bolsonaro e Congresso preocupa governo

Equipe econômica teme que as tensões entre o presidente e o Congresso possam afetar as reformas

Iniciativa de Bolsonaro com críticas ao Congresso gerou reação do presidente da Câmara, Rodrigo Maia

Iniciativa de Bolsonaro com críticas ao Congresso gerou reação do presidente da Câmara, Rodrigo Maia | /Tania Rego/Agência Brasil

A equipe econômica teme que as tensões entre o presidente Jair Bolsonaro e o Congresso Nacional possam afetar o ritmo de avanço das reformas. Apesar disso, a visão é que as pautas da área, por ora, estão blindadas.

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O receio é manifestado no momento em que o coronavírus chega ao Brasil. A nova doença eleva as preocupações sobre possíveis impactos na economia do País.

O mais recente episódio de embate ocorreu nesta semana no WhatsApp do presidente. Bolsonaro encaminhou a amigos vídeo que estimula a população a ir às ruas defendê-lo.

A iniciativa, tomada enquanto ativistas preparam manifestações em apoio ao atual governo e com críticas ao Congresso, gerou reação do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

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A visão na equipe do ministro Paulo Guedes (Economia) é que atritos como esse têm potencial para atrasar o ritmo de reformas. As propostas dependem do empenho dos congressistas.

Guedes tem uma série de medidas de interesse na lista. Entre elas as PECs (propostas de emenda à Constituição) de ajuste fiscal, as mudanças de regras no serviço público, as alterações no sistema tributário, a agenda de privatizações e a abertura do mercado de saneamento.

O compartilhamento do vídeo por Bolsonaro teve como ponto central um assunto envolvendo economia. A pauta de manifestações é pró-governo e contra o Congresso.

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A briga entre Executivo e Legislativo foi causada pelo embate sobre R$ 30 bilhões do chamado Orçamento impositivo. Congressistas querem ter controle sobre esse montante de recursos.

Na semana passada, o ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), Augusto Heleno, foi flagrado dizendo que o governo estava sendo chantageado pelo Congresso.

Tanto Maia como o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), repudiaram a fala de Heleno. Na quarta-feira, o senador não comentou o compartilhamento de vídeo por Bolsonaro. A imagem de Heleno passou a ser usada em mensagens de convocação para os atos do dia 15 de março.

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Após o vazamento do áudio em que Heleno diz “foda-se” ao tratar do Congresso, Guedes classificou a disputa como natural. Ele, porém, também acabou fazendo críticas a deputados e senadores.

“É normal que o Congresso queira entrar no Orçamento, mas espera aí. Não precisa pisar no nosso pé”, disse, na quinta-feira (20), ao lado de Bolsonaro e ministros em evento no Palácio do Planalto. A solução apresentada pelo ministro para a disputa orçamentária foi justamente avançar com as reformas. Ele defendeu a PEC do Pacto Federativo, que ajusta gastos obrigatórios e abre espaço para outras despesas.

Sob pressão no governo para apresentar crescimento, o ministro pediu que o País persista na agenda das reformas para que a economia possa avançar 2% neste ano.