Perto de completar cem dias como prefeito reeleito da capital, Bruno Covas segue se descolando do governador João Doria, não apenas nas medidas de distanciamento social adotadas para frear o avanço da covid-19, mas também agora nas ações relativas à imunização da população. Após definir de forma unilateral a antecipação de feriados, expondo publicamente a falta de alinhamento entre os governos, Covas determinou como prioridade a formulação de um plano próprio de vacinação, com regras e ritmos distintos do Estado. A meta estipulada é comprar vacinas para imunizar 600 mil paulistanos por dia. Atualmente, com a dependência quase que exclusiva da CoronaVac, distribuída pelo Instituto Butantan, a Prefeitura não consegue ultrapassar diariamente 120 mil vacinados, apesar de ter estrutura e pessoal para obter um número quatro vezes maior.
Plano de Metas
A Prefeitura de São Paulo apresentou o Plano de Metas 2021-2024, com 75 objetivos para serem cumpridos até o fim da gestão de Bruno Covas. O investimento será de cerca de R$ 29,9 bilhões, informou a Prefeitura. A assistência social e habitação devem receber quase metade deste valor. Zeladoria e segurança pública ficaram com 25%,;mobilidade, 17%; trabalho, 4%; meio ambiente, 4%; e 1% para investimento. Algumas metas são antigas e não foram cumpridas nos últimos planos, como o corredor de ônibus Itaquera-Cidade Líder, que deveria ter sido entregue em 2014, e ainda não está pronto. Para discutir as metas do plano com a sociedade, serão realizadas audiências públicas entre os dias 10 e 30 de abril. Depois de receber as contribuições, a administração municipal terá um mês para fechar o texto principal, que será apresentado em junho.
Plano Diretor
Em 2021, em meio ao caos sanitário e social causado pela pandemia de Covid-19, a cidade de São Paulo terá a missão de rever o seu PDE (Plano Diretor Estratégico). O Plano Diretor é o mecanismo que regula as diretrizes urbanísticas da cidade e orienta o seu crescimento. Por essa razão, a legislação é alvo de disputas, tanto do mercado imobiliário, quanto dos diferentes atores da sociedade civil. O PDE atual é de 2014, aprovado durante a gestão de Fernando Haddad (PT), após uma série de debates e discussões em plenárias.
IPTU dos super-ricos
O projeto do vereador Antonio Donato (PT) prevê a criação de novas alíquotas de IPTU para imóveis residenciais de alto valor e que hoje pagam o imposto limitado ao valor venal de R$ 1,2 milhão (última faixa de cobrança do IPTU). A proposta cria novas faixas de valor venal, a partir de R$ 1.200.001,00 até R$ 9.600.001,00, com as respectivas alíquotas. Donato explica: “Para se ter uma ideia, uma casa de perfil médio no Tatuapé ou uma mansão no Morumbi pagam a mesma alíquota de IPTU. Importante esclarecer, também, que este projeto não atingirá os imóveis da classe média e nem da alta classe média. Meu foco são os super-ricos”.
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