Neste último feriado de Corpus Christi, quinta-feira (3), circularam nas redes sociais imagens de bares e ruas lotadas na região serrana de São Paulo. Pessoas com sede de sair, beber e viver uma vida normal ignoraram a pandemia e os quase 500 mil mortos por coronavírus e fugiram para a cidade que era point do inverno paulista: Campos do Jordão. Esta mesma cidade sediava todos os anos um dos eventos culturais mais badalados do Estado, o Festival de Inverno.
Não eram só os bares e comércios que ficavam lotados, mas milhares disputavam um lugar na praça central de Capivari onde aconteciam as apresentações culturais. Orquestras, companhias de dança e outros eventos que agitavam a cidade e garantiam receita para o município e o sustento de muitas famílias.
Essa tal da flexibilização, que aliás só no Brasil acontece mesmo durante altos números de infecções e internações pelo coronavírus, permitiu a reabertura de comércios, a volta ao trabalho presencial, porém após mais de um ano de pandemia o setor cultural não voltou. Ou até voltou, mas com limitações que mal permitem a sua sobrevivência.
Sim, porque qualquer evento cultural, cinema, teatro, dança ou música implica em reunir um determinado número de pessoas no mesmo lugar, o que não é aconselhável durante a plena circulação do vírus no Brasil. Assim como não é aconselhado o que acontece todo fim de semana em algum novo point em toda parte.
A verdade é que os trabalhadores do setor estão à mingua. Ano passado com a aprovação da Lei Aldir Blanc, o governo destinou verba para o setor e garantiu aos trabalhadores um auxílio de R$ 600. Este ano, o presidente Jair Bolsonaro vetou trechos da Lei que garantiam o uso de R$ 800 milhões remanescentes para socorro ao setor cultural. Vetos esses derrubados nesta semana pelo Congresso Nacional.
As estimativas de participação do setor cultural na economia brasileira, antes da pandemia, variavam de 1,2% a 2,67% do PIB (Produto Interno Bruto) e garantiam não só a diversão, entretimento e enriquecimento cultural da nossa população como o sustento de 5 milhões de famílias. Cerca de 45% desses trabalhadores perderam toda suas receitas.
Os trabalhadores da cultura prestaram sempre papel fundamental para manter a sanidade do País, ou o que resta dela. Afinal, quem conseguiria viver sem música, cinema, novelas, séries, teatro, exposições e shows, que são manifestações que representam a alma de um lugar e de um povo e que dão conforto e acolhimento para os bons e os maus momentos. Quem sempre fez isso acontecer hoje pede socorro.
