No País onde as leis nunca foram respeitadas e onde se é famoso dar o tal do “jeitinho”, pelo menos a Ciência era obedecida e não gerava nenhum tipo de incerteza, com raras exceções. Desde pequeno todo brasileirinho nascido neste solo é imunizado contra várias doenças. A caderneta de vacinação em dia é orgulho de muitas mães que acompanham assíduas o calendário nacional.
Campanha começa e lá vamos nós. Crescemos sadios, erradicamos doenças como sarampo, poliomielite e vimos ao passar das décadas nossa taxa de mortalidade infantil cair. O mundo girou e num piscar de olhos estamos no mesmo Brasil questionando vacinas, abominando o uso de máscara e utilizando medicamentos sem eficácia.
No fantástico mundo de Bolsonaro, a pandemia do novo coronavírus não existe. É tudo uma jogada comercial da China para vender insumos e vacinas. O Brasil tomou a pílula do retrocesso com um gole de incoerência. Nesta semana, o presidente declarou que vai pedir ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, um parecer sobre quem já foi vacinado passe a ser a partir de agora desobrigado a usar máscara.
É contraditório o pensamento do líder nacional. Se a vacina não funciona, segundo ele, por que quem é vacinado pode tirar a máscara? Aliás, esse pedido faz sentido, sim, porque para o presidente a doença nunca passou de uma “gripezinha”. Meio milhão de pessoas perdeu a vida para a Covid-19. E temos apenas 11% da população imunizada completamente com as duas doses da vacina.
Não tem como tirar a máscara agora. Nenhum país tomou tal atitude. Estados Unidos só liberaram a desobrigação de máscara quando a taxa de vacinação era superior a 50% e as mortes e casos estavam em queda. Queda, não ascensão. Nesta quinta-feira (10), o País registrou mais 2.504 mortes pela doença em 24 horas. Não dá para relaxar. Quem não queria sair sem máscara, poder reunir os amigos, ir a um show, tirar essa sensação de agonia e tristeza no peito e saber que essa doença não existe mais? Todo mundo queria. Negar a realidade não é negacionismo, é loucura. O pouco que resta é confiar na vacina e torcer para o calendário avançar.
