Suspensão de vacina de Covid-19 para adolescentes aterroriza médicos

A vice-presidente da Sociedade brasileira de Imunizações classifica a decisão do Ministro da Saúde como aterrorizante

Dra. Isabella Ballalai

Dra. Isabella Ballalai | Reprodução Vaccini

Segundo Isabella Ballalai, vice presidente da Sbim (Sociedade Brasileira de Imunizações), a decisão do Ministro da Saúde Marcelo Queiroga a respeito da suspensão da aplicação de imunizantes contra Covid-19 em adolescentes sem comorbidades aterroriza o setor médico. 

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A decisão anunciada na quinta-feira (16) contribuiu para que a sociedade emitisse uma nota na sexta-feira (17) criticando a decisão do governo.

Segundo Ballalai, a medida representa a criação de uma nova crise no meio de uma pandemia, quando os governantes deveriam estar trabalhando exatamente no caminho contrário, em uma busca por melhorias nos mecanismos de gestão para evitar esse tipo de problema.

“O governo dividiu a população e acabou com a confiança nos órgãos de saúde públicos”, disse a especialista. “A adesão à vacinação depende de vários fatores, como a confiança nas autoridades, nos profissionais e na estrutura de saúde, que foi abalada”, continuou.

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Na quinta, ao anunciar o resta quinta, o governo Jair Bolsonaro (sem partido) mudou regras de imunização contra a Covid-19 e passou a recomendar que adolescentes sem comorbidade não sejam vacinados.

Queiroga atribuiu o recuo a dúvidas sobre a segurança na imunização destes jovens e criticou estados que já começaram a imunizar os menores de 18 anos.

A mudança na vacinação aconteceu depois que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e seus apoiadores pressionaram Queiroga a rever regras de imunização de adolescentes.

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Feita às pressas e sem conhecimento dos técnicos do PNI (Programa Nacional de Imunizações), a decisão de orientar que jovens menores de 18 anos não sejam imunizados pegou de surpresa gestores do SUS, diretores da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e até secretários do Ministério da Saúde.

Queiroga atribuiu o recuo a dúvidas sobre a segurança e eficácia dos imunizantes em adolescentes e criticou estados que já começaram a imunizar os menores de 18 anos.

Para a vice-presidente da Sbim, o anúncio pegou também toda a comunidade médica de surpresa e levou a uma reação em massa contra a decisão. “É a primeira vez que publicamos um posicionamento tão rápido em desacordo com o Ministério da Saúde. Trabalhamos em parceria com o Programa Nacional de Imunização, algo fundamental para o país”, disse.

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Assim como a Sbim, outras entidades médicas emitiram notas contrárias à recomendação do ministério, e orientaram os pais e responsáveis a continuarem a levar os adolescentes para se vacinar -diversos estados e capitais já anunciaram que não vão aceitar a nova recomendação e mantiveram a imunização dos menores de idade.

A SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) divulgou uma nota em que defendeu as recomendações para vacinação de adolescentes. “A SBP entende que decisões unilaterais não contribuem para a construção de um programa de imunização de sucesso, sendo a confiança um dos principais pilares das ações de vacinação”, disse a nota.

O Comitê Extraordinário de Monitoramento Covid_AMB (CEM Covid AMB) também se juntou às críticas e se posicionou contra a orientação do ministro.

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Em comum, as entidades argumentam que a OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda a vacinação de adolescentes sem comorbidades desde que respeitada a prioridade dos grupos mais vulneráveis.
Além disso, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou a aplicação da Pfizer nesse grupo etário.