O Brasil abriga o maior e mais avançado acelerador de partículas da América Latina, o Sirius. Localizado em Campinas, no interior de São Paulo, ele é um marco para a ciência nacional por ser um dos equipamentos mais modernos do mundo. O equipamento de responsabilidade do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), ocupa cerca de 36 mil m² e custou quase dois bilhões de reais para ser construído. Mas, afinal, para que serve um equipamento desse porte?
Fernando Garcia, professor associado do Instituto de Física da USP, explica que o Sirius produz luz síncrotron, uma radiação muito intensa que permite enxergar detalhes microscópicos de materiais e moléculas.
“O Laboratório Síncrotron funciona como um grande microscópio, onde conseguimos colocar nossas amostras e olhar o que está acontecendo”, explica o físico. Essa radiação é usada para explorar áreas como saúde, energia, meio ambiente e novos materiais, gerando avanços que impactam diretamente a vida cotidiana.
A luta contra a Covid-19
O Sirius desempenhou um papel fundamental durante a pandemia de Covid-19. Ele foi usado para estudar a estrutura do coronavírus, ajudando os especialistas a entender sua estrutura de proteínas e como ele se multiplica.
Pesquisadores da USP usaram o Sirius para estudar a proteína MPro do coronavírus, essencial para sua reprodução. Com ajuda do acelerador, descobriram cinco moléculas que podem se ligar a essa proteína e, com isso, tiveram conclusões significativas para criação de novos medicamentos antivirais.
Além disso, o Sirius permitiu mapear detalhes de outras proteínas do vírus em alta resolução. Essas análises ajudaram no avanço de estudos sobre tratamentos e vacinas. O equipamento foi essencial para gerar conhecimento em tempo recorde, algo crucial durante a crise de saúde pública.
Tecnologia em prol do meio ambiente
O acelerador de partículas também é muito importante para pesquisas ambientais. O objetivo dos cientistas é usá-lo para achar soluções sustentáveis e eficientes para os problemas enfrentados no Brasil, como materiais para baterias e maior eficiência da energia solar.
Segundo o Ministério da Ciência e Tecnologia, o Sirius permite estudar, por exemplo, como os fertilizantes penetram no solo e como é possível melhorar a eficiência do plantio. Essas análises ajudam a aumentar a produtividade agrícola e a reduzir impactos ambientais.
Ele também é usado para investigar como tendências da tecnologia mundial podem afetar o meio ambiente. Um exemplo é o uso da nanotecnologia, que usa partículas muito pequenas para fins medicinais, industriais e até em computadores.
Além disso, o equipamento apoia pesquisas sobre materiais supercondutores e tecnologias para energia limpa. Essas investigações são essenciais para desenvolver soluções sustentáveis em diversas áreas.
O Sirius coloca o Brasil em uma posição de destaque no cenário científico mundial. Com ele, é possível fazer no País pesquisas que só poderiam ser concluídas no exterior, trazendo inovações e melhorias diretamente para os brasileiros.
