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Seis países denunciam governo Maduro a tribunal internacional

Entre as acusações estão detenções arbitrárias, assassinatos, execuções extrajudiciais, torturas, abusos sexuais, violações, atentados contra o devido processo Por Folhapress De São Paulo

dothCom Consultoria Digital

Publicado em 26/09/2018 às 23:00

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Líderes de Argentina, Canadá, Chile, Colômbia, Paraguai e Peru enviaram nesta quarta-feira (26) ao Tribunal Penal Internacional (TPI) um pedido de investigação por crimes de lesa-humanidade cometidos pelo regime de Nicolás Maduro desde fevereiro de 2014 na Venezuela.

É a primeira vez que governos nacionais acionam a corte, sediada em Haia (Holanda), contra outro país signatário do Estatuto de Roma, que rege a atuação da instância. A Procuradoria do tribunal se pronunciará nesta quinta (27) sobre o documento.

Entre as acusações citadas pelo chanceler argentino, Jorge Faurie, às margens da ONU estão "detenções arbitrárias, assassinatos, execuções extrajudiciais, torturas, abusos sexuais, violações, atentados contra o devido processo". Algumas das vítimas são menores de idade, afirmou o ministro.

Se as denúncias forem comprovadas, "ficariam claramente configurados os crimes de lesa humanidade", acrescentou.

A carta pede à procuradora Fatou Bensouda que sejam investigadas acusações desde 12 de fevereiro de 2014, "para que determine se se deve acusar uma ou várias pessoas", disse o chanceler peruano, Néstor Popolizio.

Popolizio afirmou que a situação na Venezuela a "continua se deteriorando" e que devem ser buscados "caminhos para lutar contra a impunidade no país".

O pedido se baseia em dois informes sobre a violação de direitos humanos na Venezuela, um da OEA e outro do Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU.

"Encontrar soluções para pôr fim à crise na Venezuela está no centro das prioridades do Canadá. Há um amplo e crescente corpo de evidências de que o regime de Maduro cometeu grandes violações de direitos humanos contra seu pobre povo", afirmou a chanceler do Canadá, Chrystia Freeland.

"Em um momento em que muitos países estão dando as costas à ordem internacional baseada em regras e quando o próprio TPI está sob ataque, é alentador ver e participar em um esforço para referir os crimes do regime de Maduro a esse órgão", acrescentou.

Já há um exame preliminar em curso na corte sobre a situação no país caribenho. Essa etapa antecede a abertura de uma investigação formal e não tem prazo para terminar; pode levar alguns meses ou até anos.

A pré-apuração, anunciada pelo tribunal em fevereiro deste ano, se debruça sobre supostos crimes cometidos durante manifestações contra Maduro que deixaram mais de 120 mortos, tendo início em abril 2017.

O que se apura é o uso excessivo de força pelas tropas do governo para dispersar e reprimir manifestantes, além de detenções aleatórias e abusos cometidos contra eles durante o encarceramento.

As agressões cometidas por opositores contra forças maduristas também estão no escopo de análise da procuradoria do TPI.

A carta desta quarta pede ao TPI que acelere essa investigação e apresente suas conclusões.

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