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Segundo o Ministério da Saúde, no último ano 1.544.987 pessoas ficaram doentes
Segundo o Ministério da Saúde, no último ano 1.544.987 pessoas ficaram doentes
Foto: Arte: Gazeta de S.Paulo

Não baixe a guarda para a dengue

Evitar água parada é o cuidado mais eficaz no combate ao mosquito transmissor da doença, cujo número de casos aumenta muito no verão

O mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, tem uma preferência bem particular: chuva, calor e verão. É na água parada - que se acumula com as chuvas volumosas desta época do ano - que ele deposita os ovos e as larvas crescem. É o calor que faz esse processo ser mais rápido, liberando mais e mais mosquitos no ambiente. E o verão é quando esses fatores se unem e tornam esta a estação mais propícia ao aumento no número de casos da dengue.

Mas ainda existe um fator surpresa, e que não tem nada a ver com fatores climáticos, e sim com os quatro tipos diferentes do vírus causador da doença. "Quando parte da população está imunizada contra um tipo de vírus, aparecem outros. Eles são imprevisíveis", alerta o infectologista Roberto Focaccia, professor da Universidade Metropolitana de Santos (Unimes).

Essa variação viral pode ser uma das responsáveis pelo grande aumento no número de casos em 2019. Segundo o Ministério da Saúde, no último ano 1.544.987 pessoas ficaram doentes (em 2018, foram 265.934, um aumento de 488%), e o subtipo 2 da dengue voltou com força. E a previsão do Ministério é que 2020 não seja diferente: 11 estados brasileiros, como os nove do Nordeste, Espírito Santo e Rio de Janeiro, podem apresentar um aumento no número de doentes, por não terem sido tão afetados como no ano anterior.

Como o vírus da dengue é muito mais presente no Brasil, chegando inclusive a matar pacientes mais sensíveis, ele é considerado, pelo Ministério da Saúde, até mais perigoso que o coronavírus, que vem infectando pessoas pelo mundo todo. Aqui no Brasil, há casos suspeitos da doença, e nenhum foi confirmado ainda.

Uma vez que a pessoa adquire dengue, ela fica imune o resto da vida contra aquele sorotipo que a infectou, mas isso não a protege de ser infectada pelos outros subtipos. Focaccia explica que não existe um tipo mais perigoso do que o outro. "Tudo depende do grau de imunidade da pessoa. Em pacientes com problemas hematológicos [no sangue], gestantes, crianças pequenas e idosos, os sintomas podem ser mais graves, chegando inclusive na dengue hemorrágica".

Macaque in the trees
Dengue clássica x hemorrágica

Não há tratamento específico contra a doença: o paciente deve ficar em repouso, beber bastante água, e se for necessário, tomar medicamentos para abaixar a febre; em casos mais graves, é necessária a internação hospitalar. Por isso que a forma mais eficaz de evitar ficar doente é combater o mosquito transmissor da doença.

Vale lembrar que a fêmea do mosquito coloca os ovos em locais com água parada - e não adianta somente jogar a água fora. "Quando a água seca no recipiente, o ovo ou a larva ficam grudados na parede e, quando chove novamente, eles crescem de novo", explica. Para evitar isso, "precisa esfregar os locais com escova".

O mosquito voa baixo, e costuma picar suas vítimas nas pernas, sempre ao amanhecer e no fim de tarde. "É sempre bom proteger as pernas com roupas compridas, e usar repelentes com icaridina ou DEET, estes são os melhores", aconselha. E, por mais que as recomendações de evitar água parada possam parecer repetitivas, elas não devem ser esquecidas. "Temos que nos cuidar para que ele não se prolifere", adverte.

O fim da picada

Mas nem tudo está perdido. Já há vacina contra a dengue, que cobre os quatro sorotipos da doença. "Ela é indicada para quem já ficou doente, porque na segunda vez que o paciente é infectado, os sintomas tendem a ser mais graves", alerta a imunologista Kelem Chagas, gerente médica da Sanofi Pasteur, que produz a vacina, não disponível ainda na rede pública de saúde. São três doses, que devem ser aplicadas em um intervalo de seis meses entre elas. A faixa etária indicada é entre 9 e 45 anos. Segundo ela, a vacina tem até 84% de eficácia contra uma segunda reinfecção. Mas tem contraindicações. "Pessoas que têm alergia a algum dos componentes da vacina, gestantes, mulheres que amamentam, e quem nunca teve dengue não podem tomar", alerta. 

 

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Dengue clássica x hemorrágica - Arte: Gazeta de S.Paulo

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