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No comando do volante

"Quando eu comecei a trabalhar com a Kelly, eu me espantei, pois nunca tinha visto uma mulher dirigindo um caminhão. Eu achei que algo pudesse dar errado, porque pensava que as mulheres não tinham experiência nisso. Mas, depois, com o tempo, vi que ela é muito competente e dirige bem como qualquer homem", relata Peterson da Silva.

Peterson é um dos três coletores da equipe da motorista de caminhão de coleta, Kelly de Souza Nascimento, de 53 anos, a única mulher entre os 352 motoristas da Loga (Logística Ambiental de São Paulo), uma das empresas responsáveis pela coleta de lixo da capital paulista. Na profissão há 11 anos, dez deles trabalhando à noite, Kelly começou a dirigir caminhão por necessidade. "Eu trabalhava em uma empresa de telefonia. Estava com muitas dívidas no cartão e resolvi pedir demissão para pegar o dinheiro e pagar esses débitos. Depois, as coisas foram apertando e eu resolvi mudar a categoria da minha carta para B. Peguei os últimos R$ 500 que haviam sobrado da rescisão e fiz um curso de motorista para transporte coletivo, mas confesso que não acreditava que isso daria certo", conta. Ainda no curso, Kelly conheceu uma moça que trabalhava como motorista de caminhão, para quem ela deu seu o currículo. "Você vai provando por A mais B que é capaz", afirma. Ainda assim, ela conta, nas ruas, quando o caminhão está parado e chega um homem para pedir informação, quase sempre ela escuta: "O irmão, opa desculpa". "Eles sempre esperam ver um homem", finaliza.

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