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Escritora Djaimilia Pereira de Almeida
Escritora Djaimilia Pereira de Almeida
Foto: Divulgação

Djaimilia Pereira de Almeida discute o silêncio e a justiça em mesa forte da Flip

Escritora angolana refletiu, entre outras coisas, sobre o poder dos silêncios e o peso das heranças

A angolana Djaimilia Pereira de Almeida e a turca Elif Shafak protagonizaram nesta quinta-feira (2), sexto dia de Flip, uma das mesas mais fortes da festa literária até agora.

Com uma discussão que refletiu sobre o poder dos silêncios, o peso das heranças e a multiplicidade contida em cada pessoa, duas das autoras mais talentosas em atividade teceram um diálogo natural sobre suas últimas obras.

Djaimilia afirmou que "A Visão das Plantas", romance curto que lançou no Brasil pela Todavia, não foi escrito com qualquer interesse em julgar o seu protagonista, um capitão de navio negreiro que termina a vida cuidando do jardim de sua casa com a consciência plenamente limpa.

"O livro trabalhava sobre uma possibilidade desconcertante, a de não existir justiça no mundo, nada que nos conforte", argumenta. "As plantas tem nisto uma função importante, são as testemunhas mudas que olham esse homem, são cuidadas por ele, nunca o julgam. A narração parte deste ponto de vista e não assume nenhuma posição em particular, apresenta uma situação e deixa ao leitor o espanto, a revolta, a insatisfação."

A autora, premiada com o Oceanos, afirmou que não lhe interessa nada impingir seus juízos pessoais sobre as personagens, mas apresentar todas "em sua espetacular multiplicidade e contradição".
Shafak também fez uma defesa apaixonada de que todos os humanos contêm multitudes, como diz a frase famosa de Walt Whitman.

"Acredito em pertencimentos múltiplos, não quero pensar na identidade como uma coisa singular", afirmou a escritora. "O mundo nos reduz a pequenas caixas, especialmente os jovens que vêm de um histórico complexo."

A autora se disse interessada nos "silêncios das famílias que passam por grandes traumas ou imigrações". "Os mais idosos passaram pelos maiores obstáculos, mas os mantêm enterrados em si mesmos. A segunda geração não parece ter tempo para o passado. São as gerações seguintes que fazem as grandes perguntas sobre seus ancestrais."

A Flip continua até o próximo domingo com mesas que podem ser vistas de forma gratuita e virtual pelo canal de YouTube da festa literária.

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