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A emoção é de série

Nova muscle bike da Harley-Davidson, impressiona pela tocada esportiva e pelo bom ângulo de inclinação em curvas Da Reportagem De São Paulo

As muscle bikes sempre fascinam muita gente. Atraem olhares por suas linhas radicais que esbanjam personalidade. São arrojadas, musculosas, “torcudas” e potentes. Seu desempenho esportivo vem de motores mais apimentados e sua ciclística impõe respeito pela robustez e eficiência. No Brasil, a família V-Rod da Harley-Davidson, apesar do sucesso, viu sua aposentadoria chegar em 2016. De lá para cá, ficou uma lacuna, só agora preenchida com a chegada da FXDR 114 2019, integrante da linha Softail.

Misto entre Night Rod Special e XR 1200X, a nova power cruiser da H-D não usa o motor Revolution, desenvolvido em parceria com a alemã Porsche, mas sim o novo Milwaukee-Eight 114 (de 114 polegadas cúbicas), refrigerado a ar, que oferece ‘singelos’ 16,11 kgfm de torque já disponíveis a 3.500 rpm. A moto se diferencia também pelo uso de materiais mais leves: alumínio na balança e no sub-chassi. O resultado é o menor peso – 303 quilos em ordem de marcha – e mais agilidade.

Podem incomodar, à primeira vista, as peças em plástico que emolduram o assento solo e o para-lama traseiro, que se move junto com a suspensão que, aliás, recebeu um monoamortecedor com nova posição de ancoragem. São 112 milímetros de curso e ajuste na pré-carga da mola. Valeria um acabamento mais requintado, como o uso da fibra de carbono, já que se trata de uma moto com preço a partir de R$ 80.200. Esse tipo de acabamento existe, mas faz parte de uma extensa linha de acessórios da marca, oferecidos como opcionais pelas concessionárias.

A posição de pilotagem lembra a da Night Rod Special, ou seja, braços esticados e bem abertos e pernas semiflexionadas, com as pedaleiras não tão à frente, quando comparado com as primeiras V-Rod. É uma postura de pilotagem diferente, com o tronco projetado para frente. Nesse aspecto, a relação com a Harley-Davidson da FXDR 114 é do tipo ‘ame-a ou deixe-a’. Ou o piloto curte a posição oferecida pela moto, ou é melhor procurar outra para comprar.

O despertar da fera

Para domar esta usina de força sobre duas rodas, o piloto precisa ir com calma, até se acostumar com a nova posição de pilotagem. O motor é bruto, e é bom se ter cuidado nas aceleradas mais vigorosas. Se faltar prudência, de duas uma: ou a FXDR114 empinará ou a moto sairá fritando o pneu, enrugando o asfalto. Por isso, o motociclista precisa ter total controle sobre a máquina.

Ao apertar o botão do start, o Milwaukee-Eight 114, de estimados 80 cavalos de potência máxima (número não confirmado pela Harley), desperta e emite um som médio-grave que é propagado pelo escape 2 em 1. O ‘rugido’ do motor refrigerado a ar instiga o piloto a girar o cabo. E é a 2.500 giros que a emoção começa.

Com uma boa relação de marchas, a FXDR114 vai ganhando velocidade de forma controlada. Aqui o mais importante não é o torque, mas sim como essa força é distribuída. No caso desta Softail é feita de forma progressiva. Mas se o motociclista quiser mais emoção é só girar o acelerador com vontade e ter adrenalina correndo solta no corpo, já que a moto derrapa nas saídas de curva. Por isso, a Harley deveria ter investido em um pacote eletrônico completo – modos de pilotagem e controle de tração – como na sua co-irmã italiana.

Nas manobras em baixa velocidade, como em uma moto esportiva, o ângulo de esterço é reduzido. Além disso, a FXDR 114 – assim como a Breakout – conta com um ângulo de cáster de 34 graus. Porém, a altura do assento, de 720 milímetros, auxilia o motociclista nessa situação. Outro item que veio das superesportivas foi a suspensão dianteira: invertida (upside down) com tubos de 43 milímetros de diâmetro e 130 milímetros de curso. Absorve bem as irregularidades do piso, deixa a moto sempre no trilho e dita o caminho para a próxima curva.

Em pista plana, asfalto bom, sexta marcha engatada e motor girando a 3.150 rpm, a muscle bike da H-D já estava a 140 km/h, com folga para muito mais. A velocidade pode ultrapassar, com facilidade, os 200 km/h. A autonomia é de cerca de 300 quilômetros, já que o tanque tem capacidade para 16,7 litros de gasolina.

Depois de cruzar a Marginal Pinheiros e um trecho da rodovia Castelo Branco, a FXDR seguiu pela Estada dos Romeiros, que liga Itu a Cabreuva, no interior de São Paulo. Devoradora de curvas – as mais abertas, de preferência –, a moto mostrou para que veio: rodar com o giro baixo, porém, de forma bastante vigorosa. Quando é preciso de mais potência e troque, bastava dar uma leve girada da manopla do acelerador. No trecho mais sinuoso, a moto rodou praticamente o tempo todo em quarta marcha. A FXDR 114 até parecia um scooter. Claro que oferecendo mais emoção!

Nas saídas de curvas e já emendando em retas, a nova HD despeja força e potência quase que de forma instantânea, já que o comportamento dinâmico do ‘V2’, de 1.868 cm³, é quase um soco no estômago. Em função da nova arquitetura, com a transmissão primária deslocada para traz, o motor oferece um dos maiores ângulos de inclinação da família Softail, que faz desta Harley boa de curvas e de retas. O mais incrível é que em nenhum momento a pedaleira raspou no chão.

Antes de mergulhar nas curvas, o correto é frear antes e deixar o sistema entrar em ação – disco duplo de 300 milímetros na dianteira e, na traseira, disco simples de 292 milímetros. Durante o teste, em alguns momentos de abuso por parte do piloto, o ABS entrou em ação e não deixou a roda travar. Em resumo, a FXDR não é uma moto para iniciantes, mas é uma máquina deliciosa para pilotos experientes que gostam de acelerar. Com a nova muscle bike, ninguém ficará órfão da V-Rod.

*Por Aldo Tizzani. do MinutoMotor

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