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Exclusivo: CEO da Lecar fala sobre motor 'autorecarregável' e planos da montadora

Fabricante brasileira apresenta modelos no Salão do Automóvel e quer produção 100% nacional no futuro

Lucas Souza

28/11/2025 às 20:30

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Mock-up do coupê 459 está exposto no estande da Lecar no Salão do Automóvel

Mock-up do coupê 459 está exposto no estande da Lecar no Salão do Automóvel | Yuri Villaça/Gazeta de S.Paulo

Entre marcas tradicionais da Europa e da China, uma montadora brasileira vem se destacando no Salão do Automóvel, que acontece até o próximo domingo (30/11), no Anhembi, em São Paulo: é a Lecar. Em entrevista exclusiva ao Gazeta, o CEO e fundador Flavio Figueiredo Assis conta sobre os projetos de motor “autorecarregável” e uma linha de produção 100% nacional.

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A fabricante promete despertar nos brasileiros o orgulho e a confiança em dirigir uma marca genuinamente daqui.

Lecar, montadora brasileira, vem se destacando no Salão do Automóvel.
Lecar, montadora brasileira, vem se destacando no Salão do Automóvel.
Fabricante promete despertar nos brasileiros o orgulho e a confiança em dirigir uma marca genuinamente daqui.
Fabricante promete despertar nos brasileiros o orgulho e a confiança em dirigir uma marca genuinamente daqui.
Portfólio atual da Lecar já inclui três modelos de carros: o coupê 459, a picape Lecar Campo e o SUV Lecar Tático.
Portfólio atual da Lecar já inclui três modelos de carros: o coupê 459, a picape Lecar Campo e o SUV Lecar Tático.
No entanto, apenas os mock-ups de dois veículos estão expostos no Salão do Automóvel.
No entanto, apenas os mock-ups de dois veículos estão expostos no Salão do Automóvel.
Modelos possuem autonomia estendida (EREV) composta por dois motores, um elétrico e outro a combustão.
Modelos possuem autonomia estendida (EREV) composta por dois motores, um elétrico e outro a combustão.
Tecnologia permite que os modelos percorram 1 mil km com 30 litros de etanol.

/Fotos: Yuri Villaça/Gazeta de S.Paulo
Tecnologia permite que os modelos percorram 1 mil km com 30 litros de etanol. /Fotos: Yuri Villaça/Gazeta de S.Paulo

“O Brasil tem engenharia de ponta, capacidade técnica e um ecossistema automotivo robusto. Entendemos que o país pode fomentar um novo ciclo industrial com tecnologia disponível localmente, produtividade sustentável e valorização da matriz limpa do etanol”, diz Flavio Figueiredo Assis.

Portfólio atual da Lecar

O portfólio atual da Lecar já inclui três modelos de carros: o coupê 459, a picape Lecar Campo e o SUV Lecar Tático. No entanto, apenas os mock-ups de dois veículos estão expostos no Salão do Automóvel, acompanhados do projeto de chassi dos modelos da Lecar.

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“Trouxemos um projeto de chassi que demostra na prática toda a arquitetura técnica e a tecnologia de propulsão híbrida flex com autonomia estendida (EREV) aplicada nos dois veículos (459 e Lecar Campo). Ele apresenta com detalhes o sistema de eletrificação com motor e gerador elétrico, bateria e o motor à combustão flex”, completa o CEO.

A autonomia estendida (EREV) citada por Assis é composta por dois motores, um elétrico e outro a combustão. A tecnologia permite que os modelos percorram 1 mil km com 30 litros de etanol. Confira a entrevista na íntegra:

Gazeta: O que a Lecar está apresentando ao público no Salão do Automóvel?

Assis: A Lecar expõe no seu estande no Salão do Automóvel de São Paulo o mock-up de dois veículos projetados e desenvolvidos integralmente no Brasil, o coupê 459 e a picape de cabine dupla Lecar Campo. Também trouxemos um projeto de chassi que demostra na prática toda a arquitetura técnica e a tecnologia de propulsão híbrida flex com autonomia estendida (EREV) aplicada nos dois veículos. Ele apresenta com detalhes o sistema de eletrificação com motor e gerador elétrico, bateria e o motor à combustão flex. É a mesma tecnologia que será aplicada também no Lecar Tático, um conceito de SUV “jipão” que apresentamos em primeira mão por meio de arte gráfica à imprensa.  

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Gazeta: Até o momento, qual a repercussão que a marca notou no Salão?

Assis: Temos recebido um retorno bastante positivo das pessoas que visitam o estande, seja de potenciais compradores como também de executivos e empresas interessados em eventuais parcerias com a marca. Também recebemos sugestões e até mesmo críticas construtivas e estamos abertos de forma bastante transparente a todo tipo de conversa. Sabemos que o nosso projeto pode gerar dúvidas e questionamentos, até pela ausência por tantas décadas de uma montadora genuinamente brasileira. Mas estamos confiantes e determinados a seguir em frente com o nosso projeto. Tenho dito a todos os que visitam nosso estande: a Lecar estará presente nas próximas edições do Salão do Automóvel. Esse é apenas o início de uma jornada longa e vitoriosa que temos pela frente.

Gazeta: Qual o principal objetivo da marca no Salão do Automóvel?

Assis: O Salão do Automóvel de São Paulo é o mais importante e tradicional evento do setor automotivo da América Latina, e faz parte do calendário oficial dos principais salões do mundo. O retorno do evento à capital paulista, após um intervalo de sete anos, coincidiu com o nosso atual momento de dar visibilidade ao projeto que estamos desenvolvendo. Assim, entendemos que era uma boa oportunidade para o Salão voltar a contar, depois de muitos anos, com uma montadora brasileira. Para nós, além de ser uma honra estar presente no Salão do Automóvel, é uma grande oportunidade para apresentarmos nossos veículos e nosso projeto de forma geral a um público apaixonado por carros.   

Gazeta: Além de ser uma marca brasileira, qual o diferencial da Lecar?

Assis: Nosso propósito vai muito além de produzir carros brasileiros no Brasil. Queremos despertar nos brasileiros o orgulho a confiança em uma marca genuinamente brasileiros. Investimos em uma cadeia produtiva nacional sólida e na valorização do talento brasileiro. Nosso plano de industrialização reflete uma estratégia clara de construção de uma montadora competitiva, com identidade nacional e visão global. O Brasil tem engenharia de ponta, capacidade técnica e um ecossistema automotivo robusto. Entendemos que o país pode fomentar um novo ciclo industrial com tecnologia disponível localmente, produtividade sustentável e valorização da matriz limpa do etanol. Nesse sentido, trabalhamos para buscar parcerias estratégicas que acelerem o desenvolvimento e fortaleçam a presença da Lecar no mercado.

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Gazeta: Qual o “público alvo” da Lecar e a faixa de preço dos modelos da marca? 

Assis: Queremos atrair consumidores que buscam adquirir veículos com uma combinação entre tecnologia, inovação, design, preço justo e facilidade de compra. O preço final dos dois modelos anunciados, Lecar 459 e Lecar Campo, é o mesmo: R$ 159,3 mil. Ambos já são oferecidos aos clientes por meio do sistema de Compra Programada, uma modalidade que permite planejar a aquisição do veículo sem juros e com total previsibilidade, com prazos de 48, 60 ou 72 meses e parcelas a partir de R$ 2.212,50. Estamos também em meio a um processo de expansão da rede de concessionárias da Lecar, estimulando a adesão de lojas de usados e seminovos como revendedores oficiais credenciados pela marca.  

Gazeta: A Lecar está vendendo dois modelos com a promessa de entregar em 2027, existe alguma garantia ao comprador caso este prazo seja adiado?

Assis: A compra é formalizada por meio de contrato assinado entre as partes, como em qualquer transação comercial, onde ficam registradas as obrigações da empresa referentes a prazos e entrega dos produtos.  

Gazeta: Quais os planos da Lecar para a popularização da marca?

Assis: Nossa operação busca a todo momento estar bastante conectada com os consumidores brasileiros. Os nossos canais nas redes sociais são um indicador importante do elevado alcance que a marca já conquistou. Em pouco mais de quatro anos de operação, já temos, por exemplo, mais de 250 mil seguidores no Instagram. A própria participação no Salão do Automóvel, mesmo antes de ter carros produzidos, faz parte da nossa estratégia de aproximação do público, buscando tornar a marca mais conhecida e acessível. Outra ação que também está ligada à ideia de popularização da marca é a expansão da rede de concessionárias por meio de lojas de usados e seminovos, que permite que os clientes tenham acesso à Lecar como “vizinhos de bairro” destas lojas. 

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Gazeta: Qual o prazo para a construção de uma fábrica própria?

Assis: Anunciamos no Salão do Automóvel uma revisão de cronograma tanto de início de construção de fábrica, agora programado para o primeiro trimestre de 2026, assim como de produção dos carros, agora prevista ser iniciada no segundo semestre de 2027. A mudança ocorreu em razão do processo de homologação e licenciamento ambiental em Sooretama, no Espírito Santo. Optamos por revisar prazos para garantir segurança de execução, conformidade regulatória e um modelo produtivo sustentável e auditável.

Gazeta: Com a fábrica de pé, todos os processos de produção serão realizados pela Lecar ou alguns itens (motor, bateria…) serão comprados de outras marcas?

Assis: A formalização de parcerias é uma parte importante dentro da nossa estratégia de negócios. Já contamos, por exemplo, com parceiros estratégicos como a WEG, responsável pelos sistemas de eletrificação e geradores internos, e a Horse, fornecedora do motor flex que atua exclusivamente como extensor de autonomia. Estamos em processo de formalização ainda com outros parceiros, que terão os nomes confirmados no momento oportuno. O plano prevê cerca de 60 fornecedores homologados para a primeira fase industrial, com expansão para mais de 100 na etapa de produção em escala.

Gazeta: As fábricas chinesas têm crescido no Brasil. Como a Lecar vê esse movimento e se isso afeta os planos da marca no País?

Assis: A investida de empresas chinesas é um movimento natural, não apenas no Brasil, mas no mundo de forma geral. A Lecar está neste momento avaliando com uma das maiores fabricantes automotivas da China um acordo de transferência tecnológica. A iniciativa envolve cooperação em engenharia e acesso a plataformas globais de eletrificação, e também pode atrair novos investimentos para a operação brasileira e fortalecer o projeto industrial da marca.

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Gazeta: Quais os principais objetivos da marca em 10 anos?

Assis: Nosso objetivo principal no médio prazo é liderar a transição energética da mobilidade no Brasil, com foco em tecnologia nacional, inovação e sustentabilidade. Investir em uma cadeia produtiva nacional sólida e na valorização do talento brasileiro, consolidando a marca Lecar como referência para a indústria automotiva do futuro e reforçando a matriz energética limpa e renovável do país.

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