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Haddad diz que Brasil 'é mole com ricos' e que Dilma 'se retraiu' na política

Em entrevista à rádio Metrópole, de Salvador, Haddad disse que Dilma "se retraiu na política" por não ter "condições psicológicas" para lidar com pessoas como Eduardo Cunha Por Folhapress

Pouco antes de embarcar para Aracaju (SE), sua segunda parada no périplo que faz pelo Nordeste, Fernando Haddad concedeu nesta quarta-feira (22) uma entrevista à rádio Metrópole, de Salvador, em que disse que a ex-presidente Dilma Rousseff "se retraiu na política" por não ter "condições psicológicas" para lidar com pessoas como Eduardo Cunha (MDB-RJ).

"Dilma não tinha condições psicológicas para lidar com Eduardo Cunha [então presidente da Câmara], e era ele quem comandava no Congresso. Ela se retraiu na política para não se misturar com essa gente", afirmou Haddad ao tentar justificar um dos motivos que culminaram no impeachment da petista.

Candidato a vice na chapa de Lula ao Planalto, o ex-prefeito de São Paulo seguiu estratégia defendida pelo ex-presidente, de conceder entrevistas a rádios locais em viagens pelo país, e tentou modular o discurso para o público nordestino.

Segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta, 51% dos eleitores da região ainda não conhecem seu nome e seguem ávidos por Lula na disputa. Sua missão, portanto, é tentar conquistar o voto dessas pessoas, com a ideia de que é capaz de resgatar o projeto de país do ex-presidente.

Na entrevista, Haddad afirmou ainda que o Brasil é "mole" com os ricos e que não concorda com a forma de punição dada aos corruptores hoje em dia.

"Somos moles com os ricos. [...] os corruptos estão em casa, em prisão domiciliar. Não concordo. Precisamos punir os corruptores com severidade", declarou em referência a empresários que fizeram delação premiada e receberam benefícios como redução de pena e regime domiciliar.

Haddad comentou rapidamente a pesquisa Datafolha e disse que os 39% registrados por Lula, mesmo preso, é o reflexo de que "o povo quer Lula e o Brasil de volta".

O candidato a vice deve herdar a cabeça de chapa quando o ex-presidente for declarado inelegível pela Justiça Eleitoral.

No cenário sem Lula, Haddad ainda apresenta dificuldade de herdar o espólio do padrinho político e aparece com apenas 4% das intenções de votos.

Como mostrou a Folha, o objetivo do PT a partir de agora é fundir a imagem de Lula à de Haddad, aumentar a exposição do ex-prefeito e atrelar seu nome ao 13, número símbolo do partido.

A campanha deste ano é curta e há uma ala dentro do PT que teme a estratégia de esticar a corda ao máximo no discurso de que Lula é candidato, o que pode dificultar a transferência de votos para Haddad em tão pouco tempo.

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