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Redes de fora interferiram em debate no Twitter, afirma FGV

Segundo o estudo da FGV-DAPP, uma das redes, a de contas russas, tem 232 perfis, que produziram 8.185 tuítes entre 1º de agosto de 2018 e 26 de setembro Por Folhapress De São Paulo

A Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV-DAPP) encontrou duas redes de contas estrangeiras - uma russa e outra latina - que interferiram no debate eleitoral no Twitter antes do 1º turno das eleições. O levantamento levou em consideração publicações relacionadas à disputa presidencial.

Para Marco Aurelio Ruediger, diretor de análise da FGV-DAPP, a presença de perfis falsos e bots (robos), se intrometendo nas discussões políticas, intoxica as redes sociais do Brasil com pautas alheias aos interesses da população.

"Além disso, percebemos que o conteúdo incentiva a polarização e a desconstrução da nossa democracia por agentes externos."

Segundo o estudo da FGV-DAPP, uma das redes, a de contas russas, tem 232 perfis, que produziram 8.185 tuítes entre 1º de agosto de 2018 e 26 de setembro.

Os perfis promoveram conteúdo de defesa do que a FGV chama de "direita alternativa" e notícias falsas envolvendo, principalmente, o tema pedofilia.

A outra rede, a latina, com 138 perfis automatizados (bots), é composta por 117 contas da Venezuela, 11 contas da Argentina, 6 de Cuba e 4 do Equador. Juntas, entre 14 e 24 de agosto, produziram 400 publicações para inflar as interações dos perfis oficiais dos ex-presidentes Lula e Dilma no Twitter.

A FGV-DAPP conseguiu identificar que os perfis latinos já trabalharam para que os tuítes de Raúl Castro (ex-ditador de Cuba), Nicolás Maduro (ditador da Venezuela), entre outros tivessem mais interações, parecendo relevantes.

Já a rede russa espalhou desinformação pelas eleições no mundo: 87 contas atuaram nas eleições dos EUA; 55 nas da França e 98 nas da Alemanha. Poliglotas, os perfis falsos falam 40 línguas distintas.

Para Ruediger, a integração de conteúdos do Twitter com os de outras redes revela campanha com disputas de narrativas coordenadas e organizadas.

Segundo Ruediger, o desafio daqui para frente é regrar o debate político nas redes sociais. Para ele, esse deveria ser um compromisso não só do Tribunal Superior Eleitoral, mas também dos partidos e agentes políticos.

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