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Após missão da OEA falar em fake news, presidente do PSL diz que órgão tem 'zero credibilidade'

Gustavo Bebianno criticou declaração feita pela chefe da missão da OEA, que afirmou que a divulgação de notícias falsas via WhatsApp pode ser um "fenômeno sem precedentes" Por Folhapress

O presidente do PSL, Gustavo Bebianno, criticou declaração feita na quinta-feira (25) por Laura Chinchilla, chefe da missão da OEA (Organização dos Estados Americanos) que acompanha as eleições no Brasil.

Chinchilla, que é ex-presidente da Costa Rica, disse que a divulgação de notícias falsas no país via WhatsApp pode ser um "fenômeno sem precedentes".

Ao ser questionado sobre a fala da observadora, Bebianno perguntou sobre a quem ela se referia e, na sequência, sugeriu que ela deveria se dirigir ao PT.

Bebianno é braço direito do candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL) e um dos cotados para assumir o Ministério da Justiça caso o capitão reformado vença as eleições de domingo (28).

"Não, nós não produzimos fake news. Ela está falando do PT, mas como ela é esquerdista, ela não fala do PT. Ela vai lá, acariciar. A OEA tem zero credibilidade para a gente", afirmou.

Bebianno foi questionado pela reportagem sobre a acusação de Chinchilla ser esquerdista. Ela foi declarada persona non grata pelo governo do ditador venezuelano Nicolás Maduro em julho do ano passado.

"Não, não. Não sei se ela foi declarada persona non grata lá. Eu não tenho essa notícia. Eu sei que a OEA, assim como a ONU, tem um viés globalista, esquerdista. A OEA não reconhece o que aconteceu em 2014. Os peritos que trabalharam para o PSDB não puderam fazer o seu trabalho, o TSE não deixou", disse, sugerindo que houve fraude nas urnas nas últimas eleições presidenciais, quando a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) derrotou o tucano Aécio Neves.

Na ocasião, o PSDB pediu ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) a auditoria das urnas. O resultado foi divulgado um ano depois, em outubro de 2015, quando o partido reconheceu a ausência de fraudes.

Em março de 2017, quando foi gravado pelo empresário e delator Joesley Batista, da JBS, Aécio disse ter pedido a verificação do resultado "para encher o saco do PT".

A declaração de Chinchilla foi feita após reunião com a campanha de Fernando Haddad (PT), em São Paulo.

O grupo, que já esteve em território brasileiro no primeiro turno, tem procurado os candidatos para reuniões e disse à reportagem que não recebeu resposta do PSL após inúmeras tentativas de contato.

Esta é a primeira vez que a OEA vem ao país para uma missão de observação eleitoral. A visita ocorre a convite do governo brasileiro.

O grupo chefiado pela ex-presidente do país da América Central observou recentemente os processos eleitorais em países como Venezuela, México e Estados Unidos.

Chincilla foi declarada persona non grata junto a ex-presidentes latino-americanos como o colombiano Andrés Pastrana, o boliviano Jorge Quiroga, o mexicano Vicente Fox e o costa-riquenho Miguel Ángel Rodríguez. Os ex-dirigentes foram observadores do plebiscito opositor a Maduro, em 2017.

DIREITOS HUMANOS

Bebianno criticou ainda a ONU (Organização das Nações Unidas), afirmando que a instituição tem tendência globalista, com a qual a campanha de Bolsonaro não concorda.

"Não digo que a ONU seja zero credibilidade, mas a ONU tem uma tendência globalista que nós não concordamos."

Questionado sobre se haverá uma mudança de posicionamento do Brasil em relação à ONU num governo Bolsonaro, o dirigente do PSL disse que é preciso rever a questão de direitos humanos.

"Direitos Humanos [tem que ser] em primeiro lugar para as vítimas. Em primeiro lugar para as pessoas de bem. As pessoas que matam as outras, que agridem as outras, essas têm de ser colocadas em segundo plano. Na nossa prioridade estão as vítimas. Ninguém, nenhum ser humano normal pode ter algum tipo de prazer ou satisfação em ver o outro sofrer, por pior que seja aquela pessoa. Por piores que tenham sido as suas atitudes. Mas, numa ordem de prioridade, que se priorize primeiro as vítimas e não os agressores", afirmou.

Bolsonaro disse durante a pré-campanha que deixaria a ONU, depois disse ter cometido um "ato falho" e afirmou que se referia apenas ao Conselho de Direitos Humanos da entidade.

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