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Brasil vê adesão militar maior a Guaidó e não descarta risco de guerra civil na Venezuela

Militares brasileiros e diplomatas se disseram surpresos pela rapidez da escalada da crise na ditadura de Maduro e não descartam o risco de uma guerra civil no país vizinho Por Folhapress De São Paulo

Integrantes da cúpula militar brasileira e diplomatas especializados em Venezuela se disseram surpresos pela rapidez da escalada da crise na ditadura de Nicolás Maduro e já não descartam o risco de uma guerra civil no país vizinho.

Segundo a reportagem apurou com diplomatas, o ponto de inflexão foi a maior adesão de militares de patentes baixa e intermediária ao grupo do presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, que é reconhecido como líder interino do país por países como o Brasil e os Estados Unidos.

O episódio da libertação do líder opositor Leopoldo López, com auxílio de militares, não tem precedente na conturbada crise da ditadura chavista. Nem militares, nem diplomatas, tinham informações confiáveis a respeito da movimentação na manhã desta terça (30).

Segundo disse um membro do Alto Comando do Exército do Brasil, o conflito atual só irá se resolver com violência. O raciocínio do general leva à questão óbvia: quem irá sair vencedor? Nem entre militares, nem entre diplomatas há uma clareza sobre isso.

Até aqui, o Brasil considerava a posição de Maduro estável entre suas lideranças militares, até porque muitos generais ocupam cargos estratégicos na indústria petrolífera do país e são acusados de associação com atividades ilícitas.

Mas as imagens da manhã desta terça podem alterar essa percepção. Segundo uma fonte do Exército na região informou, pelo menos sete unidades militares estariam sublevadas contra Maduro. Não é possível confirmar a veracidade dessa informação a essa altura.

A escalada traz um desafio renovado para o governo de Jair Bolsonaro (PSL). O presidente realizou uma reunião de emergência sobre o caso com todos os principais envolvidos na discussão do tema Venezuela do governo.

A ala dita ideológica da administração está representada por Ernesto Araújo, o chanceler indicado pelo escritor Olavo de Carvalho e cuja indicação foi aprovada por Eduardo, o filho de Bolsonaro que é deputado federal (PSL-SP) e atua na área internacional.

O Itamaraty liderou a guinada mais radical de oposição a Maduro, iniciada já no governo de Michel Temer (MDB). O país apoiou o pleito de Guaidó de ser presidente interino e deixou de reconhecer o ditador como presidente legítimo, em linha com o que pregava a administração Donald Trump, com quem a ala ideológica é afinada.

Oposto a ele está o vice-presidente, Hamilton Mourão (PRTB), que é visto como autoridade no país vizinho por ter sido adido militar em Caracas por dois anos, no começo da era Chávez. Ele se opõe tanto à ditadura de Maduro, que considera acabada, quanto às sugestões de intervir diretamente na crise.

O ministro da Defesa, Fernando Azevedo, é visto como dono de uma posição intermediária e de consenso. Já Augusto Heleno, general que chefia o Gabinete de Segurança Institucional, tende a acompanhar Mourão.

Uma coisa é certa: os militares não cogitam intervenção militar no país vizinho para promover a mudança de regime. Esse é um desejo de Trump que encontra vários partidários na vizinha Colômbia e também no bolsonarismo. Mas é possível que haja movimentações na área de fronteira, preventivas, caso a escalada registrada em Caracas se espalhe pelo país.


*Por Igor Gielow, da Folhapress

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