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Quarta, 15 Maio 2019 15:18

Ministro compara cortes na verba da educação a economia para compra de vestido de festa

O ministro comparou os cortes na educação a dificuldades financeiras de uma família para a compra de um vestido para festa de 15 anos da filha
O ministro negou que o governo vá voltar atrás no contingenciamento anunciado no orçamento do MEC O ministro negou que o governo vá voltar atrás no contingenciamento anunciado no orçamento do MEC Wilson Dias/Agência Brasil
Por Folhapress

No dia em que estão previstos protestos em várias cidades brasileiras, o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, comparou os cortes na educação a dificuldades financeiras de uma família para a compra de um vestido para festa de 15 anos da filha.

"É que nem o pai, que tem um salário e sabe que tem que comprar o vestido de 15 anos da filha lá em outubro, mas ele está em maio. Aí, ele vai vendo o que vai entrando, o que vai gastando, e diz: 'ih, pode ser quem não dê, então, eu não vou sair para comprar churrasco, não vai ter cervejinha no final de semana, eu não vou comprar o tênis do João", afirmou o ministro ao argumentar que não se tratam de cortes, mas sim de uma reserva orçamentária.

"O que ele faz? Ele contingencia, ele protege, ele guarda o seu gasto. Isso é uma atividade responsável, é isso que o governo do presidente Bolsonaro está fazendo", defendeu.

As declarações foram feitas pelo ministro na manhã desta quarta-feira (15) durante um encontro com dirigentes das empresas de rádio e TV de Santa Catarina, realizado em Brasília.

Depois de o Ministério da Educação ter anunciado a redução de 30% do orçamento da pasta, foram marcadas manifestações em todo o país em defesa de recursos para a educação nesta quarta.

Os cortes atingiram desde o ensino básico ao superior e reduziram o orçamento das universidades federais, bloqueando bolsas de pesquisa.

O ministro negou ainda que o governo vá voltar atrás no contingenciamento anunciado no orçamento do MEC.

Na terça-feira (14), deputados disseram no plenário da Câmara terem ouvido o presidente Jair Bolsonaro pedir para que o corte de recursos fosse revisto.

Logo na sequência, a Casa Civil, o MEC e o Ministério da Economia divulgaram notas afirmando que o contingenciamento seria mantido.

Onyx disse nesta quarta que houve um equívoco por parte dos deputados e que os recursos seguirão represados.

"Houve uma confusão entre o que é contingenciamento do que é corte. Os parlamentares que têm universidades federais na sua base, é normal, é natural, é desejável, que eles lutem pelas suas universidades, porque elas são importantes para suas comunidades", disse.

Nesta quarta, enquanto protestos são realizados nas ruas, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, dará explicações sobre os cortes no plenário da Câmara, após ter sido convocado na véspera por deputados.

Sem citar diretamente o ex-presidente Michel Temer, Onyx disse ainda que a gestão anterior deixou armadilhas no orçamento deste ano.

"Temos uma dificuldade de que no primeiro ano do nosso governo o orçamento é feito pelo governo que saiu. E ali tinha uma série de pequenas armadilhas para desgastar o atual governo. A gente foi competente, foi driblando as armadilhas, mas isso não quer dizer que a gente viva num mar de rosas", disse.

Ele disse ainda que desde 2003 o PT fez "muita força para destruir o Brasil", embora o partido tenha deixado o governo em maio de 2016, após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

O chefe da Casa Civil disse ainda que não é razoável cobrar que Bolsonaro resolva todos os problemas do Brasil em quatro meses.

Ainda sobre a educação, Onyx disse que o Brasil é um "case negativo" no mundo, argumentando que quando é elevado o tempo de escolaridade dos alunos, não há impacto econômico no país.

"A educação brasileira, ela tem um caso raro, é um case negativo raro no mundo. O Brasil é o único país do planeta que tu aumenta o tempo de escolaridade e não tem impacto econômico. Vou repetir: tu aumenta os anos de escolaridade e o Brasil é o único país do planeta em que não há impacto econômico nisso", disse.

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