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Anvisa aprova insulina inalável para o tratamento da diabetes

O medicamento pode substituir a insulina injetável para alguns pacientes portadores de diabetes tipos 1 e 2 Por Vanessa Zampronho De São Paulo

Todos os dias, antes das refeições, pacientes com diabetes precisam se aplicar uma injeção de insulina, de forma que o organismo consiga absorver a quantidade certa de açúcar no sangue. Essa rotina está prestes a ser mudada com a insulina inalável Afrezza, desenvolvida pela MannKind Corporation e a Biomm. Ela foi aprovada em junho pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), e até o final do ano estará disponível ao público brasileiro.

A vantagem de ser inalada, e não ser injetada, não é a única. “Ela começa a agir em um tempo muito curto, entre 10 e 15 minutos, e o efeito dela acaba em até uma hora e meia depois”, disse o endocrinologista Freddy Eliaschewitz, assessor científico da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).

Esse peril de ação, segundo Eliaschewitz, é o mais parecido com a forma que a insulina funciona no nosso organismo. “Quando você come, seu pâncreas secreta insulina nos primeiros dez minutos e, depois de uma hora, esse efeito acaba”, explicou. Mas há contraindicações. Fumantes, ou quem parou de fumar há seis meses, portadores de asma ou doenças pulmonares, e menores de 18 anos não poderão usar o Afrezza.

Eliaschewitz explica que o diabetes acontece quando o organismo não consegue mais controlar os índices de glicose no sangue. É a insulina, um hormônio produzido pelo corpo, que regula a entrada de açúcar nas células. “Se o indivíduo não consegue mais produzir insulina, ele perde a capacidade de controlar a glicose”.

O diabetes pode ser causado por alterações no sistema imunológico, que atacam o pâncreas (o diabete tipo 1) e a má alimentação, obesidade e sedentarismo (o tipo 2), que é o mais comum, responsável por até 90% dos casos no mundo. O diabetes não apresenta sintomas no começo. “Só quando o nível de açúcar fica muito alto, há a perda de glicose na urina. O paciente passa a urinar mais, a beber muita água, e chega até a icar com cansaço e ter a visão turva”, adverte. Além destes, o diabetes tem outros sintomas e complicações (veja quadro abaixo).

Caso não for tratado, as consequências são graves. A doença pode provocar cegueira, problemas renais que podem levar à diálise ou transplante, atinge os nervos, insuiciência cardíaca, infarto e até AVC. O tratamento varia de acordo com o tipo e o grau da doença, e está se tornando mais comum. “Há 437 milhões de diabéticos no mundo, e até 2035, serão 635 milhões. No Brasil, são 15 milhões”, disse.

Tipos de diabetes

Tipo 1
Por algum motivo desconhecido, o sistema imunológico destrói as células do pâncreas que produzem insulina. O corpo não consegue mais produzir o hormônio, que deve ser reposto por meio de aplicações de insulina. Representa até 10% dos casos de diabetes.

Tipo 2
É o mais comum, causado pelo sedentarismo, obesidade e má alimentação. Isso resulta na resistência à insulina, quando o hormônio vai perdendo a eficácia no controle do açúcar no sangue. Assim, o pâncreas produz cada vez mais insulina até não conseguir mais suprir essa demanda, e a glicose começar a aumentar.

Novos tratamentos

Além do Afrezza, a insulina inalável, há outras classes de medicamentos desenvolvidas para o tratamento do diabetes. O endocrinologista Freddy Eliaschewitz explica que um deles são os chamados agonistas do GLP1, que controlam a glicemia e ajudam o paciente a perder peso e a protege-lo de complicações. Outro tipo são os inibidores da SGLT2, que aumentam a quantidade de glicose na urina. Isso ajuda a baixar os níveis de açúcar, ao mesmo tempo que protege o rim do paciente. Mas são medicamentos que devem ser receitados pelo médico, que vai avaliar caso a caso.

Além disso, há a imunoterapia. Segundo Eliaschewitz, esse tratamento deve ser utilizado no diagnóstico recente de diabetes tipo 1. O remédio age no sistema imunológico do paciente, que retarda o ataque às células produtoras de insulina, evitando que sejam destruídas e o pâncreas perca a capacidade de produzir o hormônio.

quadro diabetes

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