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Quarta, 02 Outubro 2019 13:30

'Eu lamento, tem que aprovar, não tinha como', diz Bolsonaro sobre Previdência

Em conversa com simpatizantes, Bolsonaro disse não haver "plano B" para o déficit previdenciário e ressaltou que gostaria "de não ter de mexer em muita coisa"
Bolsonaro lembrou que governos anteriores tentaram aprovar uma reforma previdenciária, mas não conseguiram Bolsonaro lembrou que governos anteriores tentaram aprovar uma reforma previdenciária, mas não conseguiram Antonio Cruz/Agência Brasil
Por Folhapress

No dia seguinte à aprovação do texto-base da reforma previdenciária, o presidente Jair Bolsonaro lamentou nesta quarta-feira (2) a necessidade de fazer mudanças no atual regime de aposentadorias.

Em conversa com um grupo de simpatizantes, na entrada do Palácio do Alvorada, ele disse não haver "plano B" para o déficit previdenciário e ressaltou que gostaria "de não ter de mexer em muita coisa".

O texto-base foi aprovado na noite de terça-feira (1), no Senado, por 56 votos a 19, dentro da expectativa do governo.

Na sequência, no entanto, na votação dos destaques, o presidente sofreu uma derrota.

O plenário derrubou o artigo que criava regras mais rígidas para recebimento do abono salarial, uma espécie de 14º salário pago a trabalhadores de baixa renda com carteira assinada.

"Essa reforma é necessária. Se não fizer, quebra o Brasil em dois anos. Eu lamento, tem que aprovar, não tinha como. É uma maneira de darmos um sinal de que estamos fazendo o dever de casa. Não tem plano B nem para mim nem para ninguém que estivesse em meu lugar", disse.

Bolsonaro lembrou que governos anteriores tentaram aprovar uma reforma previdenciária, mas não conseguiram e comparou as mudanças no regime previdenciário à necessidade de, no ambiente doméstico, "dar uma dura no moleque em casa".

"É uma realidade, gostaria de não ter de mexer em muita coisa. Mas senão mexer, é igual de vez em quando ter de dar uma dura no moleque em casa. Mesmo dado dura, às vezes, sai coisa errada lá na frente", disse.

O presidente não quis responder às perguntas do jornalistas e não foi questionado pelos simpatizantes sobre a derrota no artigo do abono salarial.

Sem regras mais rígidas, a previsão de economia foi reduzida em R$ 76,4 bilhões em dez anos. O impacto fiscal total passou para R$ 800,3 bilhões em uma década.

Na conversa com os simpatizantes, Bolsonaro voltou a criticar a ideologia de esquerda e disse que adeptos da linha de pensamento têm "a cabeça poluída em certos conceitos".

"Grande parte são pessoas que foram doutrinadas. Não é nem má-fé, foram doutrinadas. Acham que aquilo está certo. E está com a cabeça poluída em certos conceitos", disse.

A reforma previdenciária saiu da Câmara com uma projeção de corte de gastos de R$ 933 bilhões em uma década. A versão original, enviada pelo governo em fevereiro, previa uma redução de R$ 1,2 trilhão.

Após a derrota do governo, a sessão do plenário do Senado foi encerrada. Interlocutores do presidente esperavam concluir esta etapa ainda na terça-feira (1º).

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