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Promessa de novos corredores verdes em SP não se concretiza

Além do corredor da 23 de Maio, João Doria prometeu criar pelo menos dois novos pontos de paredes arborizadas nas vias da cidade Por Marcelo Tomaz De São Paulo

Um ano após a inauguração do que o ex-prefeito João Doria (PSDB) chamou de “maior corredor verde do mundo” na avenida 23 de Maio, a promessa de criar pelo menos dois novos pontos de paredes arborizadas nas vias da cidade foi esquecida pela Prefeitura de São Paulo.

O motivo seria a falta de empresas interessadas em financiar o projeto. O corredor da 23 de Maio, na zona sul,  formado por plantas instaladas em pequenos vasos em cerca de seis quilômetros de extensão e ocupando aproximadamente 11 mil m² de área, foi pago pela Tishman Speyer como forma de compensação ambiental por desmatamento feito durante a construção de um condomínio no Morumbi.

A compensação por paredes vivas foi regulamentada em 2015, por um decreto de Fernando Haddad (PT). Em vez de plantar 26.281 árvores, a empresa se comprometeu a fazer oito paredes verdes, totalizando 14,6 mil m². Além da do corredor da 23 de Maio, cinco delas já foram instaladas em prédios do Minhocão.

“Do ponto de vista do meio ambiente não é ideal, mas o corredor verde é uma coisa boa. O problema é fazer o corredor com o dinheiro da compensação ambiental. No caso da avenida 23 de Maio, a gestão Haddad já havia feito um acordo com a Tishman por R$ 13 milhões, então cumprimos o que foi firmado para evitar impasses e discussões judiciais”, explica o vereador Gilberto Natalini (PV), ex-secretário do Verde e do Meio Ambiente da atual gestão.

“Ele (ex-prefeito João Doria) insistiu em continuar o projeto, mas acertamos que não usaríamos dinheiro de compensação ambiental para fazer muros verdes. Ele procurou a iniciativa privada para financiar a ideia, mas me parece que ele não conseguiu. Eu sai da secretaria e não houve continuidade”, relata Natalini.

Em nota, a gestão do atual prefeito Bruno Covas (PSDB) afirmou que não há previsão de construção de novos corredores verdes na cidade.

Árvores

Ainda como secretário, Natalini concordou com a tese de especialistas de que paredes verdes não podem substituir árvores. “Entre outros motivos, porque elas ajudam na mitigação das mudanças climáticas. As árvores, principalmente os grandes exemplares típicos da mata atlântica, absorvem carbono da atmosfera, ainda mais quando estão em fase de crescimento. Como o dióxido de carbono é um dos gases que aumentam o aquecimento global, retirá-lo da atmosfera é eficaz”, afirma.

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