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Domingo, 26 Agosto 2018 12:42

Má gestão colabora para decadência do Anhembi, que será posto à venda

Prestes a ser privatizado, complexo perdeu quase 1 milhão de visitantes e viu seu faturamento despencar 34% em um ano.
Entre os grandes eventos da cidade, o único que permanece no Pavilhão de Exposições é a Bienal do Livro Entre os grandes eventos da cidade, o único que permanece no Pavilhão de Exposições é a Bienal do Livro Andy Santana/FolhaPress
Por Marcelo Tomaz
De São Paulo

A inclusão do Complexo do Anhembi no Plano Municipal de Desestatização (PMD), agora sob a gestão Bruno Covas (PSDB), pode ser o último capítulo da decadência da estrutura responsável por tornar São Paulo o maior polo de turismo de negócios da América Latina.

Dados obtidos pela Gazeta por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) mostram que, nos últimos três anos, o espaço vem perdendo visitantes. De 2015 e 2016, foram 357 mil a menos. Já entre 2016 e o ano passado, 579 mil pessoas deixaram de frequentar o equipamento. Até julho deste ano, o público estimado foi de 1,208 milhão, sendo que o Carnaval atraiu quase a metade.

Entre 2016 e 2017 o faturamento despencou 34%, indo de R$ 217 milhões para R$ 143 milhões. As contas fecharam no azul graças a contratos para festas universitárias e feiras de médio porte. Mas, mesmo no caso desses eventos menores, há queda de 21% entre o número realizado no ano passado e o programado para este ano. O desempenho financeiro de 2018 deve ser um dos piores da história, já que até junho o resultado realizado era de R$ 46 milhões.

Inaugurado em 1970, o icônico espaço em Santana, que possui 400 mil m², Pavilhão de Exposições, Palácio de Convenções, Sambódromo e 6,5 mil vagas de estacionamento, recebia 18 das 25 maiores feiras sediadas na capital paulista. Ali ganharam visibilidade datas importantes do mercado, como a Feira Nacional da Indústria Têxtil (Fenit) e a Feira de Utilidades Domésticas (UD).

Nos últimos anos, no entanto, a falta de uma reforma de impacto e o fortalecimento dos principais concorrentes provocaram uma debandada dos eventos.

Em 2016, dois dos principais eventos realizados no local migraram para o São Paulo Expo — o Salão Internacional do Automóvel e o Equipotel (hotelaria) — e um para o Expo Center Norte — o Têxtil House Fair.

Outros 12, como o Salão Duas Rodas (motocicletas), a Feira Internacional da Moda em Calçados e Acessórios (Francal) e a Feicon Batimat (construção civil e arquitetura), foram embora no ano passado.

Em 2018, foi a vez da Feira Internacional da Indústria de Móveis e Madeira (ForMóbile) e da Feira Internacional da Mecânica e Sistemas Integrados de Manufatura (Mecânica Manufacturing Experience). Entre os grandes eventos da cidade, o único que permanece no Pavilhão de Exposições é a Bienal Internacional do Livro.

Decadência.

Em novembro, pelo menos 70 mil pessoas frequentarão por 10 dias o São Paulo Expo, na Rodovia dos Imigrantes, para acompanhar o 30º Salão Internacional do Automóvel. Na mesma data, mas a 20 quilômetros dali, o Complexo do Anhembi – palco do tradicional show bienal de veículos por quase cinco décadas – deverá estar completamente
vazio.

A mudança, ocorrida em 2016, foi motivada por problemas de infraestrutura. “Algumas melhorias haviam sido feitas ao longo dos anos, mas as mudanças necessárias requeriam grandes valores. Acredito que não havia recursos disponíveis para esse investimento”, afirma Juan Pablo De Vera, vice-presidente da Reed Exhibitions, que organiza o evento.

Já os exemplos das precariedades enfrentadas por organizadores de atrações nos últimos tempos são diversos. Em maio do ano passado, durante a Mecânica Manufacturing Experience, o teto com rachaduras não suportou a chuva e a área foi tomada pela água. O prejuízo para a Red Star Brasil, empresa de montagem de estandes, foi de R$ 20 mil.

Outras reclamações têm como alvo os desníveis de até 30 centímetros no piso, a ausência de um sistema de ar-condicionado, problemas hidráulicos nos banheiros e a rede elétrica defasada.

Em contrapartida, a São Paulo Expo e o Expo Center Norte, que receberam investimentos milionários, abocanharam a maior parte das feiras de negócios. O primeiro duplicou de tamanho no ano passado após uma reforma de R$ 420 milhões bancada pela gestora francesa GL Eventos. Já o segundo recebeu aporte de R$ 39 milhões para a construção de quatro restaurantes e uma subestação de energia.

Em maio de 2015, ainda sob a gestão de Fernando Haddad (PT), a Prefeitura de São Paulo abriu dois chamamentos públicos para tentar viabilizar uma parceria que reformaria o equipamento. Na ocasião, o então prefeito afirmou que o espaço não podia ficar para trás em relação aos concorrentes. “Se nós não modernizarmos o Complexo do Anhembi, ele vai ficar obsoleto”, anteviu.

Desde então, o Pavilhão de Exposições recebeu apenas melhorias tímidas, como reformas e acessibilidade nos banheiros, pinturas e uma nova iluminação, de LED. As iniciativas anunciadas pelo petista não prosperaram e o equipamento entrou na mira da iniciativa privada.

Venda.

Sancionada por Covas no último mês de maio, a venda da São Paulo Turismo S/A (SPTuris), empresa municipal dona do Complexo do Anhembi, deve acontecer ainda em 2018. A avaliação econômica, a modelagem e a alienação das ações da prefeitura, que detém 95,47% dos títulos ordinários e 0,32% dos títulos preferenciais da companhia, estão nas mãos do Banco Brasil Plural. O leilão está marcado para setembro.

O vereador Gilberto Natalini (PV) acompanha o tema há meses e afirma que esse é um negócio imobiliário. “Analisei a iniciativa com arquitetos, urbanistas e advogados e todos chegaram a mesma conclusão. O projeto disponibiliza 1,7 milhão de m² para a construção de prédios sem limite de altura, com isenção de outorga onerosa. É um presentão para as incorporadoras imobiliárias”, expõe.

O Projeto de Intervenção Urbana (PIU) aprovado pela Câmara Municipal para o Complexo do Anhembi ignorou a lei de zoneamento e o Plano Diretor Estratégico de São Paulo, permitindo que o potencial construtivo do terreno fosse aumentado em 68%. Ele também reduziu significativamente o valor da contrapartida que o futuro dono da área terá de pagar para a cidade. Na prática, o texto aprovado diminuiu em 46% o preço do m² que será construído a mais pelo empreendedor.

Para o urbanista Valter Caldana, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, apenas os negócios que estão no Complexo do Anhembi deveriam ser privatizados, não o terreno. “Essa área é a mais importante da região metropolitana. Pela posição e pelo tamanho. O uso futuro dela será aquilo que será a cidade no século 21. Por isso é tão estratégica”, afirma.

De acordo com a Secretaria Municipal de Desestatizações e Parcerias, o custo anual para manter o equipamento é de R$ 33,5 milhões. A maior parte dos gastos é referente a folha de pagamento da SPTuris – de R$ 75 milhões por ano –, que não será desonerada após a venda, já que os servidores serão reorganizados.

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