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Prefeitura quer implantar comércios sob viadutos

Projeto inicial mira os viadutos da Lapa, Pompeia e Antárctica, todos na zona oeste da Capital, e é inspirado em Buenos Aires Da Reportagem De São Paulo

A prefeitura de São Paulo, sob a gestão de Bruno Covas (PSDB), tem a intenção de ceder áreas ociosas abaixo de viadutos para a iniciativa privada. O projeto piloto foi lançado nesta semana e pretende atrair empresas para discutir propostas de como explorar comercialmente esses pontos.

O Procedimento Preliminar de Manifestação de Interesse (PPMI) tem como alvo inicial três viadutos da zona oeste da Capital: da Lapa (chamado oficialmente de viaduto Elias Nagib), Pompeia (viaduto Missionário Manoel de Mello) e Antárctica.

De acordo com a Secretaria de Desestatização e Privatização, que coordena o plano, as empresas que participarem do projeto também terão a obrigação de manter os espaços públicos e de criar atividades gratuitas aos paulistanos. Ainda não se sabe que tipo de empresa pode participar da licitação.

Um dos espaços que devem ser mais disputados é a área abaixo do viaduto Antárctica. O local é um dos caminhos principais dos torcedores do Palmeiras ao Allianz Parque, além de ser grudado ao shopping West Plaza, ao Villa Country, ao Espaço das Américas e ao Parque da Água Branca. O viaduto da Lapa também é valorizado e está localizado no principal centro comercial do bairro. Os interessados tem até 5 de dezembro para entregar as propostas.

Para o secretário de Desestatização e Parcerias, Wilson Poit, o futuro projeto deve valorizar ainda mais as regiões onde estão instalados os viadutos. “Esta é mais uma oportunidade para oferecermos melhores espaços públicos, mantê-los bem cuidados e ser mais uma atração para o paulistano. A ideia é levar o conceito para outros equipamentos da cidade”, afirma.

O comunicador Ciro Torrente, morador de Perdizes, acredita que a ideia, inicialmente, é boa. “Passo quase todo dia por baixo do viaduto Antárctica para ir ao metrô [Palmeiras-Barra Funda]. O lugar é feio e descuidado. Qualquer ideia para melhorar o cenário é bem-vinda”, explica.

O projeto paulistano é inspirado em outro lançado em setembro deste ano na cidade de Buenos Aires, capital da Argentina, aprovado por 41 votos a favor, 17 contrários e uma abstenção.

No caso portenho, a intenção inicial é a de transformar as áreas sobre a autopista 25 de Mayo, que atravessa boa parte da área urbana da cidade - e é comparada a uma “cicatriz” pelos argentinos - em uma região com lojas, restaurantes, áreas de atividades ao ar livre e banheiros públicos.

Setenta e cinco lotes devem ser entregues à iniciativa privada. Quem ganhar a licitação terá a obrigação de construir e manter esses bens à população. Esses locais, hoje, são conhecidos por serem inseguros, pouco movimentados e com serventia apenas a estacionamentos de quem trabalha às fábricas em volta.


*Por Bruno Irala

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