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Grupo se dedica a dar nova chance a cães abandonados

Organização paulistana comandada por cinco mulheres mantém abrigo para 128 cachorros.

Por Bruno Hoffmann

A morte da vira-lata Manchinha em uma unidade do Carrefour, em Osasco, em dezembro do ano passado, chamou a atenção das pessoas para a situação dos cachorros e gatos abandonados nas grandes cidades e, consequentemente, para as associações que cuidam dos animais vulneráveis. Uma das organizações mais atuantes na Capital é o Projeto Segunda Chance, comandado por cinco mulheres, que mantém um abrigo para 128 cães e também para gatos na cidade de Sorocaba, no interior paulista. A Gazeta conversou com Fernanda Barros, vice-presidente da ONG, para entender como é a rotina de quem dedica a vida à causa animal.

A engenheira de 40 anos despertou para a causa em 2003, quando viu um cachorro abandonado, com sarna e com o quadril quebrado no meio de uma avenida no bairro do Morumbi, onde mora. Resolveu levá-lo ao veterinário.

Bob, o cachorro maltratado, viveu em abrigos mantidos pelas ativistas até o ano passado, quando morreu com dignidade ao lado de outros 127 parceiros de quatro patas.

Fernanda nunca mais parou de se dedicar aos bichos. Em 2011 criou o Segunda Chance. Em 2016, após uma campanha pela internet, alugou um terreno em Sorocaba, e os cachorros resgatados pararam de viver em hotéis para animais.

Para a construção do abrigo, que ela prefere chamar de recanto, eram necessários R$ 120 mil, e criaram uma campanha de financiamento coletivo. Conseguiram R$ 40 mil. Os outros R$ 80 mil foram bancados por ela e outras duas ativistas.

Ninguém da diretoria do Segunda Chance recebe salário, “e nem nunca vai receber”, garante Fernanda. Só os sete funcionários do abrigo são remunerados. O custo mensal de manutenção é de R$ 22 mil. Apenas 10% desse valor vem de doações. A grande parte continua a ser bancada pelas ativistas.

O número de cães doados não é alto. Em 2018 foram apenas 12 - e outros 15 entraram no abrigo. “A maioria vai viver a vida inteira no recanto”, diz. Aos interessados em adotar um cão, o caminho não é tão simples. O Segunda Chance aplica um questionário com 53 questões, além de fazer uma entrevista.

“Queremos ter certeza absoluta que os cachorros vão para um lugar melhor. Não temos a intenção de ‘desovar’ os animais”, explica. Em caso de aprovação, não se precisa pagar uma taxa de adoção. É totalmente gratuito.

O Instituto Premiere Pet comprovou que os animais vivem com bem-estar no amplo espaço em Sorocaba e fez uma parceria para passar a vender ração por R$ 1 o quilo – o preço pode chegar a R$ 6 normalmente.

Contudo, explica Fernanda, o espaço não é o mais importante na vida de um cachorro. Eles querem mesmo é estar perto de pessoas. “Tentamos aproximar a qualidade de vida que teriam em uma casa. Mas nunca é igual Eles têm um espaço de cinco mil metros quadrados para correr, mas, se formos lá, eles ficam grudados conosco. Eles preferem pessoas a espaço”.

DIFICULDADES

Um desafio do Segunda Chance é descobrir como manter a qualidade gastando menos. Ela explica que é difícil atrair ajuda de empresas porque o resgate e cuidado a animais não é uma operação que dá lucro.

A engenheira se espelha, em alguns aspectos, em ONGs maiores, como o Instituto Luisa Mell. “Nós somos pequenas perto do Instituto Luisa Mell, que faz um trabalho exemplar e maravilhoso. O instituto tem estrutura de publicidade e de marketing, além do fato da Luisa ser uma pessoa pública, o que ajuda bastante. Nós não temos isso”.

O caso da cadela Manchinha, diz ela, ao menos serviu para mais pessoas se interessar pela causa dos animais. Explica que muita gente procurou a ONG depois disso para relatar casos de animais abandonados. O Segunda Chance, porém, não tem intenção de superlotar o abrigo. Ela explica que qualquer pessoa pode ajudar os bichos.

“Se cada um que vir um cão abandonado alimentar, levar para o veterinário, castrar, já é muita coisa. Nada paga ver um animal que estava sofrido renascendo”.

Um levantamento da Veja SP de 2017 mostra que pelo seis mil cães e gatos são resgatados por ano em São Paulo.

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