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Em busca de título inédito, Mancha Verde exalta África

Samba vai retratar os direitos dos negros, a intolerância religiosa, a cobiça e também a luta pela igualdade. Por Matheus Herbert

A Mancha Verde tentará conquistar o seu primeiro título no Grupo Especial do Carnaval de São Paulo contando uma história de uma princesa africana como enredo. O samba vai retratar os direitos dos negros, a intolerância religiosa, a cobiça e também a luta pela igualdade. A agremiação obteve a pontuação máxima no Carnaval de 2018, mas pelos critérios de desempate não foi a campeã, ficando atrás da Acadêmicos do Tatuapé e da Mocidade Alegre.

O enredo deste ano recebeu o nome de “Oxalá, salve a princesa! A saga de uma guerreira negra” e conta a história da princesa que nasceu no Congo e veio para o Brasil escravizada. Ela foi mãe de Ganga Zumba e avó de Zumbi dos Palmares.

Para conseguir o primeiro título de sua história, a escola contratou o carnavalesco Jorge Freitas, um dos mais tradicionais de São Paulo e Rio de Janeiro. O profissional estava desde 2016 na Império de Casa Verde, ano em que conquistou seu último título das quatro vitórias que teve no Grupo Especial de São Paulo. “Pegamos essa princesa guerreira como base para trabalharmos a igualdade e a luta pelos direitos. Teremos um desfile riquíssimo em detalhes e muito luxuoso”, disse Freitas.

“Uma das minhas marcas é a luxuosidade, mas o meu trabalho mais forte e o meu diferencial é o trabalho com a comunidade. Eu faço um trabalho motivacional, bem intenso. Todos anos eu estou no desfile das campeãs, ano passado eu não fiquei depois de dez anos por conta de um décimo, faz parte é uma competição”, complementou o carnavalesco.

A ideia do enredo foi sugerida pelo presidente da Mancha Verde, Paulo Serdan, e Jorge ficou responsável de desenvolver os trabalhos. “Quando eu cheguei já tinham o enredo, já era algo que a escola queria trabalhar, então eu apenas desenvolvi os trabalhos e fui ajustando algumas coisas com a comunidade. Pensa, nós temos nove quesitos, apenas dois são relacionados à plástica, o restante é o pessoal. Você precisa trabalhar com o ser humano, quem evolui é o ser humano, quem canta é o ser humano, quem toca na bateria é o ser humano, tudo depende da pessoa para a execução do seu projeto. O mais importante dentro de uma escola de samba é o social, é a socialização dos integrantes”, disse Jorge Freitas.

Questionado sobre os trabalhos nessa reta final para o Carnaval, o carnavalesco finalizou dizendo que tudo já foi feito e que está tranquilo para o desfile.

“São 25 anos de avenida. Claro que é mais um filho que nasce, mas eu tenho a consciência que eu dei o meu melhor. Já tá tudo pronto. Houve uma troca muito legal com a escola. Já havia uma conversa com o Serdan, desde a minha época de Rosas de Ouro, porém naquele período a escola não tinha condições financeiras de bancar o projeto, justamente pelo investimento e luxuosidade. Você precisa ter uma condição para fazer isso e agora chegou o momento. O que eu tive de imaginação, saiu do papel e virou realidade para este ano”, finalizou.

Desfile

A Mancha Verde será a terceira escola a desfilar no Sambódromo do Anhembi, no dia 1º de março, sexta-feira. Na mesma noite desfilam Colorado do Brás, Império de Casa Verde, Acadêmicos do Tucuruvi, Acadêmicos do Tatuapé, X-9 Paulistana e Tom Maior.

No dia seguinte, se apresentarão no Sambódromo: Águia de Ouro, Dragões da Real, Mocidade Alegre,
Vai-Vai, Rosas de Ouro, Unidos de Vila Maria e Gaviões da Fiel.

Os ingressos para acompanhar os desfiles das escolas de samba no Anhembi já podem ser comprados no site ligasp.com.br.

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