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Escolas devem desfilar sob chuva no Sambódromo do Anhembi

Sete agremiações iniciam os desfi les no Anhembi nesta sexta (1º); no sábado (2), outras sete se apresentam Por Bruno Hoffmann De São Paulo

Os desiles do Grupo Especial do Carnaval de São Paulo começam na noite desta sexta-feira (1º) no Sambódromo do Anhembi, na zona norte da Capital, com a apresentação de sete escolas de samba. No sábado, outras sete agremiações também vão levar suas cores, sambas-enredo e alegorias ao Sambódromo.

Só há uma má notícia aos carnavalescos e público que estarão no Anhembi neste fim de semana: a previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) é de tempo instável, com muita nebulosidade, e previsão de chuva de hoje até terça-feira (5).

Nessa sexta, a primeira escola a entrar na passarela será a Colorado do Brás, às 23h15. Na sequência se apresentarão Império da Casa Verde, Mancha Verde, Acadêmicos do Tucuruvi, Acadêmicos do Tatuapé, X9-Paulistana e Tom Maior. Já no sábado (2) vão desfilar Águia de Ouro, Dragões da Real, Mocidade Alegre, Vai-Vai, Rosas de Ouro, Unidos de Vila Maria e Gaviões da Fiel.

Cada escola terá no mínimo 55 e no máximo 65 minutos para demonstrar aos jurados e ao público o trabalho de um ano inteiro. Duas agremiações serão rebaixadas para o Grupo de Acesso, enquanto duas outras do Grupo de Acesso, que desilarão no domingo (3), serão promovidas ao Grupo Especial.

Para decidir a posição que cada uma ocupará na apuração, as escolas serão julgadas em nove quesitos. Serão quatro jurados responsáveis por cada quesito. São eles alegoria, bateria, comissão de frente, enredo, evolução, fantasia, harmonia, mestre-sala e porta-bandeira e samba-enredo.

Os carros alegóricos de boa parte das escolas já estavam no Anhembi nesta sexta. A expectativa é de que haja 60 mil espectadores nos dois dias de desile.

No barracão

Durante os meses de janeiro e fevereiro, a Gazeta visitou a quadra das quatro escolas mais bem colocadas nos desiles de 2018: Acadêmicos do Tatuapé, Mocidade Alegre, Mancha Verde e Tom Maior. Cada escola demonstrou otimismo e empolgação com o desile deste ano, além de dar pistas sobre o que apresentará na avenida.

O presidente da Acadêmicos do Tatuapé, Eduardo dos Santos, explicou sobre o enredo deste ano, batizado de “Bravos Guerreiros”, liderado pelo carnavalesco Wagner Santos. “A ideia veio de um componente e surgiu pelo fato de 2019 ser um ano regido pelo planeta Marte, o planeta da guerra. É algo simbolizado por São Jorge no catolicismo e por Ogum na Umbanda. Resolvemos, então, criar um enredo que contasse a história de grandes guerreiros pela paz, como Mandela, Martin Luther King, Sérgio Vieira de Mello e muitos outros”.

De acordo com o presidente, haverá homenagens a outros “guerreiros da paz”, como o trabalho do Greenpeace em prol da sustentabilidade, além dos “guerreiros do dia-a-dia”, em referência ao povo brasileiro. A Acadêmicos do Tatuapé é a atual bicampeã do Carnaval paulistano.

Uma das escolas mais tradicionais e vencedoras do Carnaval de São Paulo, a Mocidade Alegre apresentará no Sambódromo do Anhembi neste ano uma lenda amazônica, sob o enredo “Ayakamaé - As águas sagradas do sol e da lua”. A agremiação do bairro do Limão foi vice-campeã no ano passado e promete para este ano um desfile colorido, técnico e surpreendente.

“É um enredo importante e que faz parte da nossa cultura. Podem esperar um desfile muito colorido, já que falamos de um lugar exuberante. Mesclaremos as cores e vamos apresentar um desile rico”, disse Neide Lopes, uma das carnavalescas da agremiação comandada pela presidente Solange Bichara.

A Mancha Verde tentará conquistar o seu primeiro título no Grupo Especial do Carnaval paulistano contando a história de uma princesa africana. O samba vai retratar os direitos dos negros, a intolerância religiosa, a cobiça e também a luta pela igualdade. O enredo deste ano recebeu o nome de “Oxalá, salve a princesa! A saga de uma guerreira negra” e conta a história da princesa que nasceu no Congo e veio para o Brasil escravizada. Ela foi mãe de Ganga Zumba e avó de Zumbi dos Palmares.

“Uma das minhas marcas é a luxuosidade, mas o meu trabalho mais forte e o meu diferencial é o trabalho com a comunidade. Eu faço um trabalho motivacional, bem intenso. Todos anos eu estou no desile das campeãs, ano passado eu não fiquei depois de dez anos por conta de um décimo, faz parte, é uma competição”, diz o carnavalesco Jorge Freitas.

A Tom Maior também está em busca de um título inédito. Para isso, a escola da zona norte vai levar ao Sambódromo do Anhembi o enredo “Penso logo existo – As interrogações do nosso imaginário em busca do inimaginável”.

“Foi algo muito gratiicante [estar entre as primeiras em 2018] e estamos cada vez mais empenhados em mostrar que não foi sorte. Foi trabalho. Estamos trabalhando cinco vezes mais, degrau por degrau, tijolo por tijolo, com um pé no chão inigualável, para a gente mostrar o que sabe fazer: Carnaval. Nós temos o objetivo de fazer o melhor Carnaval da nossa história”, explica, esperançoso, o diretor de Carnaval Jurandir Motta, o Jura.

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