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Casa abandonada causa transtornos no Limão

Desde 20 de março de 2018, moradores enfrentam enchentes e risco de doenças por buraco em imóvel Por Bruno Hoffmann De São Paulo

Os moradores da rua Maria Renata, no bairro do Limão, na zona norte de São Paulo, enfrentam um problema grande há exato um ano. Em 20 de março de 2018, o córrego Tabatinguera, que passa trás das residências, transbordou durante uma tempestade. A força das águas derrubou a parede da casa de uma idosa de 80 anos, matando-a por afogamento. O imóvel de número 116, com um enorme buraco na parte de trás, foi abandonado. Desde então, a cada chuva, mesmo as mais leves, o córrego sobe, entra pela fenda aberta na parede e sai pela frente da casa, causando enchentes na via. O local também virou um ambiente de crescimento de ratos (“são quase preás, de tão grandes”, diz um vizinho), de baratas e outros insetos, o que aumenta o risco de proliferação do Aedes aegypti, o mosquito causador da dengue. O cheiro em volta também é muito forte.

Os vizinhos dizem que as filhas da mulher não estariam dispostas a reformar a casa e nem recolher o entulho acumulado. Eles também explicam que já contataram a Subprefeitura da Casa Verde/Cachoeirinha algumas vezes, mas, até agora, nenhuma solução foi tomada.

Uma das pessoas mais preocupadas com a situação é a dona de casa Maria do Socorro, vizinha direta da casa, que teme que a água que invade a residência possa derrubar a sua parede.

“A água se infiltra pela parede, vaza pelo chão e minha sala fica cheia d’água. Também aparecem pernilongos e um monte de outros bichos. A prefeitura diz que não pode por a mão [na casa vizinha]. Está bem perigoso”

A mulher explica que a altura do alagamento pode chegar a mais de um metro dentro da sua residência. Ela mora com duas crianças e, principalmente por causa disso, não há um dia que não sinta medo. “Nunca saio de casa despreocupada”.

De acordo com o professor de educação física Diego Rodrigo, após o acidente de 20 de março de 2018, qualquer garoinha pode causar grandes problemas no local. “Desde o desmoronamento, a casa acumula água em qualquer chuva fraca e enche a rua. Às vezes o rio nem transborda e a via já fica cheia. Agora, o volume de água vem mais forte de lá do que de onde o córrego corre a céu aberto [no começo da Maria Renata]. Aí, temos que correr, tirar os carros, senão perdemos tudo”.

De acordo com ele, os funcionários da prefeitura aparecem raramente para limpar os entulhos acumulados no córrego Tabatinguera, e que ainda há restos do desmoronamento impedindo parcialmente a circulação do córrego. “É uma briga quando pedimos para a prefeitura limpar o córrego, todo mundo tem que telefonar”. O professor explica que outra reivindicação dos vizinhos é a canalização do trecho do que passa pela entrada da via. “Nós temos projetos para canalizar o córrego, mas a prefeitura nunca veio mexer nisso”.

Os alagamentos já causaram muitos prejuízos aos moradores. “Eu gastei quase R$ 10 mil, tive que trocar coisas como sofá, cômoda, estante, geladeira”, diz o ferramenteiro Eduardo Sacramento. Por sua vez, a dona de casa Adriana Camila de Oliveira Bigo também assistiu à destruição de itens de seu lar. “Eu perdi quase tudo: televisão, geladeira, armário de cozinha, rack. Em 2018 ocorreu uma chuva muito forte, tudo bem. Mas, poxa, já se passou um ano...”.

A também dona de casa Dilma Correia Cardoso acredita que, no mínimo, o local deveria passar por limpeza. “A prefeitura deveria pelo menos vir até aqui para limpar o imóvel abandonado”.

A moradora Sonia Regina da Silva reclama dos insetos e do mau cheiro. “Desde que teve essa enchente ninguém limpou nada. Há epidemia de mosca, pernilongo, uma sujeira e um mau cheiro danados que a gente não aguenta mais. E a gente ainda paga IPTU”, se lamenta.

A rua Jerônimo dos Santos, paralela à Maria Renata, também enfrenta problemas causados pelo Tabatinguera. O aposentado Edson Roberto de Souza Neves reclama do surgimento de ratos e do aumento do risco de dengue. Também teme pela queda dos imóveis da rua ao lado. “A casa pode vir abaixo e a casa vizinha ter problemas também, e ninguém toma uma atitude. A prefeitura poderia pedir para derrubar essa casa, mas não faz nada. Deixaram ao léu isso aí, sem providência alguma. Está na cara que, se a chuva continuar desse jeito, pode esperar que pelo menos duas casas vão cair”.

POSIÇÃO DA PREFEITURA

Em nota, após contato da Gazeta, a Prefeitura de São Paulo informou que notificou os proprietários da residência abandonada e que acompanha o caso. “A Subprefeitura Casa Verde/Cachoeirinha esclarece que o imóvel permanece interditado desde março do ano passado. Os proprietários foram notificados, de acordo com a Lei Municipal nº 15442/2011, que dispõe sobre a limpeza de imóveis privados, em 14 de fevereiro deste ano para sanar as irregularidades constatadas (ausência de limpeza), tendo eles o prazo de 60 dias corridos para saná-las. O não cumprimento da notificação acarretará aplicação de multa no valor de R$ 316,27. A Prefeitura de São Paulo continuará acompanhando o caso”.

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