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Galerias de São Paulo criam alternativa a modelo tradicional de feira de arte

A ideia é expandir, com menos custos para as representações de outros países, uma frente formada por quem já não vê muita vantagem em retornar ao velho formado de estandes Por Folhapress De São Paulo

Articulação crítica ao modelo de feira de arte, nove galerias de São Paulo iniciaram no último sábado (30) o Condo, projeto de colaboração com casas estrangeiras.

A ideia é expandir, com menos custos para as representações de outros países, uma frente formada por quem já não vê muita vantagem em retornar ao velho formado de estandes.

As exposições que integram o projeto Condo nesta edição estão nas galerias Jaqueline Martins Marilia Razuk, Luciana Brito, Leme AD, Sé Galeria, Casa Triângulo, Central Galeria, Raquel Arnaud e Lume.

Segundo Jaqueline Martins, idealizadora do Condo no Brasil, o projeto se destina a estimular a circulação internacional de galerias e criar uma vitrine alternativa para um modelo que ela considera enferrujado, o das feiras de arte, "que continua igual desde os anos 1980".

A galerista não se refere apenas a SP-Arte, maior feira do setor no Brasil - que abre nesta quarta (3) -, mas também a similares do circuito internacional.

"Esse modelo segue sendo útil, mas é fundamental que ele seja arejado", diz Jaqueline. "As galerias da minha geração estão interessadas em rever seus modelos de atuação", diz.

Ela também reclama dos preços cobrados pelas feiras dos expositores e considera que o Condo oferece uma alternativa mais econômica.

Segundo Jaqueline, a proposta não deixa de lado, porém, algumas estratégias tradicionais dos grandes eventos, como promover encontros com colecionadores e diretores de museus.

O projeto surgiu há quatro anos e acontece em Londres e Nova York. A rede de galerias participantes está se expandindo: contra as nove galerias que estão hoje no projeto em São Paulo, no ano passado a única que participou da Condo foi a Jaqueline Martins.

Segundo Chiara Tiberio, representante da P420, a galeria italiana participou da SP-Arte há dois anos, mas a decisão foi de não repetir a experiência dessa vez, ainda que ela tenha sido "positiva".

Tiberio explica que a opção de não participar da feira agora se deve a uma coincidência de datas. Também será realizada na próxima semana a Miart, feira internacional de Milão, à qual a P420 deu preferência. Para a Condo, a galeria traz o artista Joachim Schmid, que trabalha com interferências em materiais fotográficos.

Na Jaqueline Martins, Schmid vai exibir um trabalho antigo, Fixfoto, de 1986.

Segundo Tiberio, a P420 participa de ao menos dez feiras de arte por ano. "Mesmo não sendo um modelo perfeito, ele ainda é o que nos permite encontrar jornalistas, curadores e colecionadores. E achamos que é muito bom voltar agora para São Paulo e mostrar nosso interesse no cenário brasileiro, agora pela Condo."

Dentro do projeto, a galeria Marília Razuk recebe duas instituições estrangeiras, a Galerie Antoine Levi, de Paris, apresentando trabalhos da artista Lisetta Carmi. E o Instituto de Visión, de Bogotá, com trabalhos da artista Amalia Pica, que cria esculturas e instalações em geral relacionadas à arquitetura do espaço expositivo.

Também merece destaque a hospedagem que a Casa Triângulo dá à Grimm Gallery, que tem sede em Amsterdã e Nova York, e que traz para São Paulo produções do do artista Guido van der Werve.

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