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Sábado, 13 Abril 2019 08:04

30% da água é desperdiçada antes de chegar às torneiras

Tubulações antigas e "gatos" fazem água tratada pela Sabesp desaparecer antes de chegar aos consumidores
Estação de Tratamento de Água Guaraú é a última etapa do Sistema Cantareira antes da água ser distribuída a cerca de 9 milhões de pessoas na Capital e na Grande SP. Dali em diante, 30% é perdida antes de chegar aos consumidores. “É uma água que vale ouro”, diz geógrafo Estação de Tratamento de Água Guaraú é a última etapa do Sistema Cantareira antes da água ser distribuída a cerca de 9 milhões de pessoas na Capital e na Grande SP. Dali em diante, 30% é perdida antes de chegar aos consumidores. “É uma água que vale ouro”, diz geógrafo Mauricio Rummens/Governo do Estado de SP
Por Bruno Hoffmann
De São Paulo

Cerca de 30% da água tratada é perdida antes de chegar às torneiras da Capital e da Grande São Paulo. A afirmação é Luiz de Campos, geógrafo e co-fundador do projeto Rios e Ruas, criado em 2010 para revelar a importância dos rios de São Paulo e de denunciar o tratamento dedicado às águas na Capital.

"O maior absurdo é que é perdido tudo depois da água percorrer cerca de 80 quilômetros e ser tratada. É uma água que vale ouro", diz. A perda se dá principalmente por vazamentos das tubulações da Sabesp e ligações irregulares feira por moradores, os "gatos".

Em 2014, o envelhecimento da tubulação da Sabesp atingia metade da rede de distribuição de água em áreas centrais de São Paulo, de acordo com reportagem do "Estadão". Levantamento da própria Sabesp revelava que 51% do sistema de alguns bairros tinha mais de 30 anos de uso. Em 2017, houve 29 grandes obras, de acordo com a companhia. Em 2018 foram anunciadas mais 18 intervenções desse tipo. Mas parece estar longe de ser suficiente para evitar a perda colossal.

Para explicar essa situação, o geógrafo detalha o caminho feito pelo Sistema Cantareira, o maior administrado pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) destinados a captação e tratamento de água para a Grande São Paulo, que atende cerca de 9 milhões de pessoas. Esse sistema é responsável por cerca de 40% do abastecimento na região metropolitana. A Sabesp retira do Cantareira por volta de 30 mil litros por segundo. Há outros sete que atendem a região.

Campos explica que o Sistema Cantareira começa nas represas Jaguari e Jacareí, a cerca de 80 quilômetros da Capital. Depois, as águas seguem para as represas Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro, essa última em Mairiporã. De lá, a água é bombeada para subir a Serra da Cantareira e chegar à represa Águas Claras. Só então o líquido chega na Estação de Tratamento de Água (ETA) Guaraú. Depois, enfim, a água é distribuída para a Grande São Paulo, quando ocorre o desperdício.

Para piorar a situação, diz o especialista, a perda maior não é visível. "Quando alguém passa por uma rua e vê uma adutora que estourou, fica chocado com o desperdício de toda aquela água tratada. Mas tem muito mais água vazando diariamente que ninguém enxerga".

Ele também explica que, para a Sabesp, o desperdício de água não é um problema econômico, já que na conta de água não é cobrado pela água que sai da torneira. Metade da conta é referente ao serviço de captação, tratamento e distribuição da água, e a outra metade se refere ao esgoto.

"Então, para a Sabesp, não importa quanto se perde. Vamos supor que ela trouxe 100 litros de água da represa Paiva Castro, mas só conseguiu distribuir 40 litros. Se esses 40 litros serviu para todo mundo, o 60 litros que ela perdeu não é perda de dinheiro. Porque ela não cobra pela água, mas pelo serviço".

Em nota, a Sabesp afirmou que o combate às perdas de água é um desafio permanente da companhia e que mantém o Programa Corporativo de Redução de Perdas atuando na troca de ramais e hidrômetros, na inspeção das tubulações para identificação de vazamentos e fraudes, além da setorização para melhorar a eficiência operacional. "O índice de perdas de água por vazamentos registrado pela Sabesp em 2018 foi de 19,9%, que é compatível com o de muitos países desenvolvidos. A este índice é somado o indicador de perdas por fraudes, de 10,2%, totalizando 30,1%, ou seja, bem abaixo da média nacional de 38%. Em 2018, a Sabesp investiu cerca de R$ 645 milhões no programa, com recursos próprios e financiamento da JICA (Japan International Cooperation Agency)".

Parte do esgoto pago não é tratado

De acordo com dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) ano base 2017, 96,3% dos paulistanos têm acesso à rede de coleta de esgoto; o volume de esgoto tratado, porém, está em 61,84% na cidade mais rica do País.

Segundo o presidente executivo do Instituto Trata Brasil, Édison Carlos, residências que não têm tratamento de esgoto também recebem a cobrança desse serviço.

"É uma decisão do Supremo Tribunal Federal, que permite que as companhias de saneamento básico, sejam públicas ou privadas, cobrem pelo sistema do esgoto como um todo, mesmo que não haja tratamento. Basta ter a coleta do esgoto para ser cobrado", explica.

Para o geógrafo Luiz de Campos, do Projeto Rios e Ruas, todas as residências cadastradas da Grande São Paulo pagam pelo sistema de esgoto, mesmo que os dejetos não sejam tratados. "Chegou água na sua casa, colocou o relógio, então você paga pelo serviço de esgoto, não importando se há tratamento".

Campos diz que parte do bairro do Morumbi, na zona sul, por exemplo, não tem serviço de tratamento de esgoto, e os dejetos são jogados diretamente no rio Pinheiros. "Se você estiver em um dos shoppings mais chiques de São Paulo, o Cidade Jardim, você está fazendo cocô e xixi direto no Pinheiros".

Apesar disso, as residências desses lugares pagam pelo tratamento de esgoto, diz ele, e só deixam de pagar caso abram um processo judicial contestando esse valor à Sabesp.

Há regiões mais pobres, em assentamentos não oficiais, por exemplo, em que não há a cobrança do esgoto. "A cidade, então, socializa o custo de tratamento de esgoto. Mas tem gente que está pagando e fica com todo o prejuízo".

De acordo com a Sabesp, a companhia segue o que a legislação e a agência reguladora determinam.

"É importante esclarecer que o serviço de esgotamento sanitário compõe-se de três fases - coleta, afastamento e tratamento de esgoto -, cujas obras vão avançando gradualmente e levando os efluentes para as estações de tratamento de esgoto (ETEs). A Sabesp tem investido na região citada dentro do Projeto Tietê, construindo interceptores e redes que vão levar o esgoto para a ETE Barueri. É com a tarifa cobrada dos clientes que a Companhia obtém parte dos recursos para esses investimentos",explica a nota da Sabesp.


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