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Principal alvo de queixas na cidade de SP, serviço de tapa-buraco exige forte trabalho braçal

Tapa-buraco, um dos serviços mais demandados no telefone oficial da zeladoria da capital, exige muita força dos trabalhadores para realização do serviço Por Folhapress De São Paulo

O aposentado S.M., 62, abre o portão da garagem e estaciona seu carro em casa, na rua Estêvão Melio, na Vila Maria Alta, bairro da zona norte de São Paulo. Deixa o veículo reclamando: "Meu carro tá fazendo um barulho estranho, olha a quantidade de buraco na rua."

Na esquina da casa dele, uma equipe da prefeitura trabalha para resolver o problema: quebram o chão e colocam uma massa nova para tentar deixar menos emocionante o rally pela cidade. "Arrumam agora e amanhã já abriu de novo", reclama o aposentado.

Antonio Barbosa, um dos coordenadores da equipe da Vila Maria, explica: às vezes uma infiltração estraga o trabalho, o asfalto todo da rua é antigo ou o fluxo de carros é intenso, "pode acontecer", diz.

Funciona assim: o cidadão vê um buraco na rua e avisa pelo 156, telefone oficial para reclamações de zeladoria.

Um sistema da prefeitura registra as queixas, e o encarregado vai ao local ver a necessidade de tapar o buraco e avaliar possíveis interferências - pode haver uma rede da Sabesp, por exemplo, e, nesse caso, é preciso falar com a empresa antes. Confirmada a necessidade de tapar o buraco, duas equipes vão ao local: uma de corte e uma de massa.

Primeiro, com um giz, a equipe de corte faz uma marcação retangular no solo, em uma área maior do que a do buraco. "Não adianta fazer só um pedaço, às vezes o asfalto ao lado está comprometido, para não ter que repetir serviço fazemos uma área maior", diz ele, que trabalha com isso há 27 anos. "Antigamente a gente jogava o asfalto de cima do caminhão mesmo em cima do buraco, ficava mal feito, o processo melhorou muito."

Aí um equipamento chamado serra policorte fura o chão em uma profundidade de até 5 cm e faz uma espécie de recorte na rua, levantando poeira. Outro funcionário, com um martelete, espécie de britadeira, transforma aquilo em pequenos pedaços e, com pás, o restante da equipe joga o entulho em um caminhão.

Terreno limpo, entra em cena a equipe de massa. O primeiro passo é nivelar a área com o que os técnicos chamam de farofão ou, mais tecnicamente, fresa, uma espécie de "entulho de asfalto".

Depois, um técnico usa uma mangueira, ou caneta de pintura manual no termo técnico, para aplicar um tipo de cola que fará a liga entre o asfalto antigo e o novo.

Despeja-se a massa asfáltica, a uma temperatura alta, de pelo menos 155ºC, para ter aderência. Pode-se usar um maçarico para aquecê-la.

Um rolo compressor, por fim, deixa o asfalto no mesmo nível da rua, resfriando a área com um pouco de água. Em poucos minutos a via pode ser usada normalmente.

É um trabalho braçal pesado, em que os funcionários passam calor com máscara e roupas de manga comprida e calça que usam para se proteger do sol quente.

Como o serviço é feito na rua, não há onde esquentar o almoço nem banheiro fixo. "Às vezes a gente usa banheiro em bar, mas eles pedem que a gente compre alguma coisa, então a gente acha algum canto na rua mesmo", diz G.R., 28.

Por contrato, a equipe da Vila Maria aplica dez toneladas de asfalto por dia, o que dá cerca de 80 m² de áreas recapeadas. No dia em que a reportagem acompanhou o trabalho, às 15h a equipe já remendava o nono buraco do dia, e planejava remendar ainda mais oito.

Asfalto é coisa que mexe com o paulistano - tapa-buraco é um dos serviços mais demandados no 156. Para o comerciante F.L. de M., 38, que mora no bairro, o serviço está longe de ser bom. "Você reclama, falam que vão vir e não vêm. Aí tapam um buraco e deixa um ao lado aberto", diz ele, apontando falhas no asfalto próximas ao local onde a prefeitura trabalhou.

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