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População critica obras no Vale do Anhangabaú

População vê lado bom, mas critica alto investimento em obra de reurbanização do Vale do Anhangabaú Por Bruno Hoffmann De São Paulo

A Prefeitura de São Paulo iniciou em junho uma grande obra de requalificação e reurbanização do Vale do Anhangabaú, que deve dar uma nova cara ao local. O vale no centro da Capital receberá 850 pontos de jatos d'água, iluminação por led, acessibilidade, comércios, entre outras novidades. A ação prevê investimentos de cerca de R$ 80 milhões. A previsão é que as obras sejam entregues em junho de 2020. A população entrevistada pela Gazeta, porém, contesta o valor da obra e se ela é essencial para a cidade.

"Vai dar um impacto econômico positivo. Mas acho que é um gasto excessivo na conjuntura em que estamos, com tanto de moradores de rua. Considero um investimento superficial", afirmou o advogado Deivison Renzo, que trabalha em um prédio ao lado do Anhangabaú.

Para a analista de projetos Gisele Gravellos, que trabalha no mesmo prédio, um outro problema é que as obras ao lado estão fazendo o prédio tremer. "A gente sente o prédio tremer, e bastante".

Em relação às mudanças no Anhangabaú, ela considera positivas em partes, mas também acredita ser um investimento desnecessário. "Pela aparência, é positivo. Pelo valor, poderia ser aplicado em moradia, em saúde. É um dinheiro mal gasto", diz a analista.

Para um administrador, que se identificou apenas como Pereira, a situação do Anhangabaú estava bem ruim antes do início das obras, principalmente em acessibilidade. Ele não gostou, porém, da mudança no solo. "Eu lamento pela retirada das pedras portuguesas tradicionais. Mas entendo, porque sei que a manutenção delas é complicada. Porém, assim como as pedras portuguesas precisam de manutenção, também esses novos pavimentos vão precisar. Não adianta inaugurar com uma bela festa e depois voltar às condições que estavam".

Uma comerciante que trabalha no centro e preferiu não se identificar também se lamentou pelo fim das pedras. "É uma pena darem fim às pedras portuguesas".

PREFEITURA

Em nota, a prefeitura diz que a requalificação é parte integrante de um sistema de renovação dos espaços para pedestres e engloba ações no Parque Augusta, no Parque Minhocão, no Largo do Arouche e a Praça Roosevelt.

"O projeto, desenvolvido com a contribuição de diversos atores da sociedade civil em oficinas realizadas durante o ano de 2013, conta com aprovações de diretrizes na Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente, Condephatt e Conpresp, além de ter sido apresentado na Câmara Municipal e em diversas reuniões setoriais com associações locais, universidades e fóruns profissionais".

Em relação aos ruídos e vibrações, a prefeitura explica que foi implantado um sistema de monitoramento. "As medições realizadas apontaram que os resultados verificados estão dentro da normalidade, sem impacto pelas obras".

A Prefeitura ainda esclarece que “a destinação dos recursos do Fundo Municipal de Desenvolvimento Urbano – FUNDURB estabelece que 30% dos recursos devem ser destinados à habitação de interesse social, 30% para mobilidade e os 40% restantes para qualquer ação direcionada ao desenvolvimento urbano, como é o caso das obras do Vale. Portanto, a Prefeitura não está retirando dinheiro de outras áreas estratégicas como saúde, moradia, segurança ou zeladoria, para execução das obras de requalificação do Vale do Anhangabaú”.

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