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Segunda, 19 Agosto 2019 16:18

'Se estiver errado, será punido', diz Covas sobre fiscal milionário da prefeitura

O agente vistor Jorge Tupynambá Reis Telles Ferreira Filho acumulou um patrimônio na casa de R$ 12 milhões, com quase 40 imóveis em seu nome ou no de uma empresa ligada a ele
Covas afirmou que a prefeitura não "é pautada pela imprensa" e que já tinha tomado "medidas cabíveis" em relação ao assunto Covas afirmou que a prefeitura não "é pautada pela imprensa" e que já tinha tomado "medidas cabíveis" em relação ao assunto Governo do Estado de São Paulo
Por Folhapress
De São Paulo

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), afirmou nesta segunda-feira (19) que um fiscal milionário e suspeito de ter cobrado propina será punido exemplarmente "se estiver errado".

O agente vistor Jorge Tupynambá Reis Telles Ferreira Filho, 53, acumulou um patrimônio na casa de R$ 12 milhões, com quase 40 imóveis em seu nome ou no de uma empresa ligada a ele, segundo levantamento feito pela Folha de S.Paulo publicado neste domingo (18).

Tupynambá também é alvo de inquérito patrimonial da corregedoriada prefeitura e foi citado por suposta cobrança de propina de um empreendimento comercial na zona sul.

Covas afirmou que a prefeitura não "é pautada pela imprensa" e que já tinha tomado "medidas cabíveis" em relação ao assunto. Apesar de suspeito, Tupynambá continua na ativa na Subprefeitura de Jabaquara.

"Não pode antecipar a penalização de ninguém porque é preciso percorrer todas as etapas que o processo administrativo requer", disse. "É preciso garantir às pessoas a defesa. Se ele tiver errado vai ser punido exemplarmente, mas, de repente, ele tá certo e você já julgou ele de forma precipitada", afirmou, referindo-se a pergunta se o agente continuaria no cargo.

O funcionário afirma que seu patrimônio foi todo declarado à Receita Federal e diz desconhecer denúncias sobre propina.

PATRIMÔNIO

Fiscal da prefeitura desde 1989, começou a adquirir bens a partir nos anos 1990 e decolou no mundo dos imóveis nos últimos dez anos, de acordo com registros de cartório analisados pela reportagem e processos judiciais.

Apenas entre 2008 e 2015, ele declarou ter pago R$ 4,4 milhões em 17 imóveis, o equivalente a 31 anos de seu salário líquido. Os valores declarados estão abaixo da cotação do mercado, hoje em torno de R$ 7 milhões.

O trabalho de um agente vistor como Tupynambá, com formação em engenharia, consiste em checar desde calçadas a itens que afetam obras maiores.

Pessoas que foram multadas por ele por questões menores disseram à reportagem que, no dia a dia, o fiscal é ríspido e de pouca conversa. A situação mudou no caso de um empreendimento maior, segundo relatos.

A Folha apurou que um homem procurou a prefeitura para denunciar estar sendo vítima de Tupynambá, que cobrava R$ 100 mil para não barrar um grande empreendimento na cidade.

O fiscal trabalhava na Subprefeitura da Vila Mariana, bairro nobre na zona sul, na época do episódio descrito. Um coordenador de obras da subprefeitura havia saído, e Tupynambá assumiu o posto de chefia.

Na ocasião, segundo o relato do denunciante, ele teria dito ao homem que "tudo mudou" após ter assumido o posto e insistido na cobrança do valor, pessoalmente e por telefone.

Questionada sobre o assunto, a prefeitura informou que a CGM (Controladoria Geral do Município) "informa já ter tomado as providências devidas em relação à situação noticiada, atualmente em andamento para providências da Procuradoria Geral do Município".

Na questão patrimonial, foram apontados "elementos de convicção". "A conclusão da sindicância também foi encaminhada para a Receita Federal", afirma a prefeitura.

OUTRO LADO

Tupynambá afirmou à Folha que é alvo de processo de sindicância patrimonial em curso na prefeitura, "no qual foram prestados todos os esclarecimentos a quem de direito".

"Não tendo o processo finalizado, qualquer atribuição de ilícito é mera suposição", disse, em nota.

O fiscal afirmou que todo seu patrimônio está declarado na Receita Federal e também o sistema patrimonial da prefeitura.

Ele negou atuar como incorporador e disse não ser sócio da Ritmo.

A respeito da denúncia de recebimento de propina, afirmou desconhecer "qualquer denúncia, de qualquer tipo sobre a minha atuação profissional enquanto funcionário da Subprefeitura Jabaquara ou de qualquer outro departamento em que trabalhei".

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