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Quarta, 21 Agosto 2019 16:25

Gestão tucana reduz em 38% número de guardas no Parque Ibirapuera

A atual administração tucana tem reduzido os investimentos na área para o parque desde que assumiu a Prefeitura de São Paulo, em 2017
Em janeiro de 2017, 135 guardas cuidavam da segurança do parque. Em junho, este número caiu para 83 Em janeiro de 2017, 135 guardas cuidavam da segurança do parque. Em junho, este número caiu para 83 Marcelo Camargo/Agência Brasil
Por Folhapress
De São Paulo

Ícone da capital paulista, o parque Ibirapuera chega aos 65 anos nesta quarta-feira (21) com cortes na segurança, situação que compromete a rotina de milhares de frequentadores que buscam o espaço para o lazer e práticas esportivas ao ar livre.

A atual administração tucana tem reduzido os investimentos na área para o parque desde que assumiu a Prefeitura de São Paulo, em 2017. A desestatização de equipamentos públicos foi uma das promessas de campanha da chapa composta pelo agora governador João Doria e o atual prefeito Bruno Covas, e a concessão do mais conhecido parque da cidade apareceu como uma das joias da coroa desde o primeiro instante.

Enquanto encaminhava o processo de repassar o parque e seus custos para a iniciativa privada, a administração municipal foi desidratando a segurança do parque, gerando incômodo em seus frequentadores, que se queixam de abandono do Ibirapuera.

Dados obtidos pela reportagem por meio da Lei de Acesso à Informação mostram que entre janeiro de 2017, quando Doria assumiu a prefeitura, e junho de 2019 houve redução de 38,5% no contingente de guardas civis municipais alocados para trabalhar no parque.

Em janeiro de 2017, 135 guardas cuidavam da segurança do parque. Em junho, eram 131. Em dezembro do mesmo ano, 127. Em 2018, 123 guardas cuidavam do parque ao final do primeiro semestre. Em dezembro, restaram 86. No final de junho de 2019, 83 são responsáveis por cumprir as mesmas funções de realizar rondas, diariamente, a pé, com bicicletas, patins e veículos elétricos, cobrindo o 1,6 km² de área do parque.

Além disso, após aditamento de contrato com a empresa de vigilância Atento em setembro de 2017, o número de vigilantes foi reduzido em cerca de 11%, de 92 para 82, realizando dois turnos, distribuídos em pontos estratégicos. Com isso, o valor gasto anualmente com o contrato caiu de R$ 10,1 milhões para R$ 9 milhões.

O número de ocorrências oscilou no período. Em 2017, foram contabilizadas 190 ocorrências, entre furtos, roubos, uso de drogas, agressões, entre outras. No ano seguinte, caiu para 136 casos. Em 2019, entre janeiro e a segunda semana de agosto, 115 ocorrências foram atendidas, ou seja, média de 15,3 por mês, similar à de 2017 (15,8).

O número de apreensões em ações contra o comércio ilegal no parque despencou. Se em 2017 foram 91, no ano seguinte aconteceram 21. Em 2019 foram registradas oito apreensões de mercadorias sendo vendidas sem licença no Ibirapuera. A prefeitura diz que isso comprova a eficácia das ações da GCM.

Para a administração municipal o que acontece não é uma redução da segurança no parque, mas uma "readequação diante das necessidades".

Os frequentadores, no entanto, têm visão diferente. Em janeiro, o militar William da Silva Santos, 35, e sua mulher, Thatiane, 32, tiveram suas bicicletas furtadas no parque. Eles pretendiam deixá-las ao lado do Museu Afro, mas foram orientados por um vigilante do parque a deixarem do lado de uma guarita de segurança.

Eles prenderam as bicicletas com dois cabos de aço no bicicletário. Uma hora depois, encontraram somente os cabos cortados no chão. Santos, então, recorreu à Justiça, pediu indenização por dano moral e ressarcimento do valor das bicicletas.

O juiz Enio Hauffe, da 1ª Vara do Juizado Especial da Fazenda Pública, não acatou o pedido de danos morais, mas reconheceu responsabilidade da prefeitura pelo dano material. A prefeitura, então, foi condenada a pagar R$ 3.390 ao casal, e recorre da decisão na Justiça.

"O guarda que me atendeu na ocasião disse que esse tipo de roubo acontece em todos os finais de semana. É comum. Disse que já levou para a delegacia uma dupla que estava com três bicicletas, mas que depois os encontrou novamente circulando no parque", conta Santos.

Moradora do bairro e ex-membro do conselho gestor do parque, órgão de participação popular para definição dos destinos desses espaços, K.J.A. reclama do que vê como descaso com a segurança do espaço.

"Há muita insegurança, você vê poucos guardas por lá, não tem certeza de que os vigias que ficam nas guaritas ajudam mesmo. Com certeza piorou muito nos últimos anos. Os adolescentes consomem muitas drogas e álcool no final de semana, principalmente. O parque tem um problema crônico de roubo de bicicletas, não tem como deixá-las em qualquer lugar que é certeza de perda", diz.

Membro do conselho gestor do parque, o empresário Gustavo Razuk manifesta preocupação não somente com a situação atual, mas com o futuro da segurança no parque. Para ele, que também participa da Parque Ibirapuera Conservação, organização sem fins lucrativos que desenvolve atividades de melhoria do parque, as duas versões do Plano Diretor do Ibirapuera que foram apresentadas pela gestão Covas pecam pela falta de transparência ao deixarem o planejamento da segurança para a empresa que assumir o parque.

Tudo indica que a empreiteira Construcap, que venceu a concorrência com proposta de R$ 70,5 milhões, irá administrar o Ibirapuera e outros cinco parques municipais ao longo de 35 anos. No Plano Diretor especifica-se somente que a GCM continuará a cuidar da segurança do público, ao passo que a segurança patrimonial ficará sob responsabilidade da concessionária, que deverá apresentar um projeto pertinente posteriormente.

"Vivemos um contexto de incerteza. Como em todo o resto do Plano Diretor, falta ouvir especialistas para estabelecer diretrizes para o futuro do parque, com concessionário ou não. Como conselheiro, gostaria de participar de um debate aprofundado de cada tema e ler um projeto para a área de segurança antes que o parque seja passado para a iniciativa privada. Queremos saber ao menos o que a prefeitura entende que deve ser o futuro da segurança no parque", defende Razuk.

Ele diz que a gestão Covas tem se distanciado da administração do parque não somente na segurança. "Nós, conselheiros, não estamos recebendo informações básicas sobre o parque. A gestão atual do parque não manda relatórios. Se você me perguntar os números do Ibirapuera eu não saberei falar."

À reportagem da Folha de S.Paulo, Samuel Lloyd, responsável pela área de concessões de parques da Construcap, diz que a segurança do Ibirapuera será feita com tecnologia e inteligência. Ele lista algumas medidas que estão entre as intenções da empreiteira: a instalação de mais de 250 câmaras de monitoramento com tecnologia de reconhecimento facial, sensor infravermelho para captar movimentação mesmo em áreas mais escuras para não agredir a fauna, aplicativo para que funcionários relatem problemas, botão de pânico em aplicativo para que frequentadores consigam pedir ajuda instantaneamente.

Lloyd também diz que não passa pela cabeça da empresa a ideia de diminuir o número de vigilantes no Ibirapuera. "Para nós, a segurança é mais que uma tarefa, é um valor", afirma. "Entendemos que com o parque revitalizado, com mais áreas verdes, com fauna e flora enriquecidas, a gente pode ter um aumento de visitantes no parque, o que fará com que a gente aumente o efetivo de pessoas que vão estar prestando serviços para essa população."

Em nota, a prefeitura diz que o Plano Diretor ainda está sendo discutido. Uma versão final do texto deverá ser entregue em setembro e, caso não haja imprevistos, a Construcap deverá começar a assumir a operação do parque em outubro, numa fase inicial, em parceria com a administração municipal.


*Por Guilherme Seto, da Folhapress

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