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Ouvidoria das policias de São Paulo vê provas frágeis em prisão de corretor

O rapaz foi preso em cumprimento a um mandado de prisão temporária, acusado de matar com quatro tiros um policial civil aposentado, de 79 anos, no último dia 6 Por Folhapress De São Paulo

Familiares de um corretor de imóveis de 33 anos questionam a prisão dele, ocorrida por volta das 15h da última quinta-feira (17) deste mês, quando ele trabalhava na Vila Guilherme (zona norte da capital paulista). O rapaz foi preso em cumprimento a um mandado de prisão temporária, acusado de matar com quatro tiros um policial civil aposentado, de 79 anos, no último dia 6 em Cidade Dutra (zona sul).

Segundo o irmão do rapaz, ele estava na casa da namorada, em Taboão da Serra (Grande SP), quando o policial civil aposentado foi morto em frente à sua casa. "Temos como provar isso, com base na localização do celular do meu irmão, que inclusive não foi apreendido pela polícia quando ele foi preso."

De acordo com a polícia, antes de ser morto o idoso pediu para que a mulher abrisse o portão de sua residência, pois havia esquecido o chave. Antes que a mulher saísse, um homem atirou contra o policial e fugiu em um VW Gol branco. A viúva do policial civil aposentado, uma aposentada de 72 anos, testemunhou a fuga do suspeito.

Após o assassinato, a polícia localizou o carro usado na fuga, carbonizado, a cerca de 800 metros da casa da vítima. Com base no número das placas e chassis, identificaram os nomes dos últimos proprietários do veículo, incluindo do corretor que foi preso - que vendeu o veículo em 2014.

Ainda no dia do crime, segundo inquérito policial, a polícia mostrou uma foto do corretor à viúva e à neta do policial. Ambas teriam reconhecido ele como autor dos disparos "sem sombras de dúvidas."

A foto usada para o reconhecimento, no entanto, foi feita em 2009 e consta na CNH (Carteira de Habilitação) do corretor. "Como a polícia pode prender uma pessoa após ela ser reconhecida por uma foto feita há dez anos? Nem foi feito o reconhecimento presencial", argumenta o irmão do corretor.

O irmão do corretor preso ainda questiona os motivos para que a polícia não procurasse o atual proprietário do Gol, residente de Ourinhos (378 km de SP). "Depois do meu irmão, o carro passou pela mão de mais duas pessoas."

PM AFIRMA O QUE VIU

Segundo inquérito, policiais militares afirmam ter abordado o corretor dentro do carro usado para a fuga do crime, nos dias 13 e 25 de setembro, na região onde aconteceu o crime. Porém, segundo documento assinado pelo chefe do corretor, o rapaz estava trabalhando nas duas datas mencionados pelos PMs.

Com base no reconhecimento feito por uma foto de 2009 e do relato dos PMs, que afirmaram ter visto o corretor perto da cena do crime, o MP (Ministério Público) pediu a prisão temporária de 30 dias do corretor, no último dia 14. O Pedido foi aceito pela Justiça, que decretou a prisão dele no dia seguinte.

DEFESA

O advogado Razuen el Kadri entrou nesta segunda-feira (21) com um pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça e também solicitou no Fórum da Barra Funda a revogação da prisão do corretor, que permanecia detido, na carceragem do 2º DP (Bom Retiro) até a publicação desta reportagem.

Em entrevista a reportagem, Kadri afirmou que as acusações contra seu cliente são frágeis. "Meu cliente precisa ser solto imediatamente, por uma questão de justiça. O que ocorreu [prisão do corretor] é uma injustiça. Ele não entende os motivos para estar sendo acusado desta forma."

O advogado ressaltou que o celular de seu cliente não foi apreendido após a prisão e que a PM não enviou relatórios das duas abordagens mencionadas no inquérito policial. "Temos como provar que ele não estava no cena do crime nem nos locais em que a polícia disse que o abordou", garantiu.

O ouvidor das polícias, Benedito Mariano, afirmou que conversou duas vezes, entre a noite desta segunda e a manhã desta terça-feira (22), com a diretoria do DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa). Nelas, pontuou três fragilidades da acusação contra o corretor.

A primeira, segundo Mariano, é o fato de o suspeito provar que estava em Taboão da Serra no momento do crime. A segunda é que o carro usado pelo suspeito na fuga foi vendido pelo corretor em 2014 para outra pessoa. E a terceira fragilidade é o reconhecimento feito pela viúva e neta da vítima por meio de uma foto feita em 2009.

"São contradições muito fortes. Diante dessa soma de contradições e fragilidades de prova, minha expectativa é a de que o DHPP peça a soltura do rapaz ainda nesta semana", afirmou o ouvidor.

OUTRO LADO

A SSP (Secretaria da Segurança Pública), gestão João Doria (PSDB), afirmou que todas as circunstâncias relacionadas ao caso são investigadas por meio de inquérito policial, instaurado pelo DHPP.

"O pedido de prisão temporária do referido suspeito foi decretado pela Justiça, de acordo com o conjunto probatório e as oitivas colhidas até o momento. As investigações, bem como o trabalho de análise de novas informações e provas, estão em curso para a elucidação dos fatos e prisão do(s) autor(es)", diz trecho de nota.


*Por Alfredo Henrique, da Folhapress

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