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Agrotóxicos mataram 439 pessoas no Governo Bolsonaro, mas PL do Veneno avança no Senado

Durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), os venenos agrícolas causaram um óbito a cada três dias

Nilson Regalado

Publicado em 20/01/2023 às 13:01

Atualizado em 20/01/2023 às 16:43

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Os agrotóxicos provocaram 439 mortes entre 2019 e 2022 / Shad Arefin Sanchoy/Unsplash

Um levantamento inédito feito Agência Pública e pelo Repórter Brasil a partir de dados oficiais do Ministério da Saúde apurou que os agrotóxicos provocaram 439 mortes entre 2019 e 2022. Isso significa que, durante o Governo Bolsonaro, os venenos agrícolas causaram um óbito a cada três dias. No mesmo período, o Brasil liberou o uso de mais de 1.800 novos pesticidas, metade deles já banidos na Europa. Os registros oficiais apontaram também 14.549 casos de intoxicação.

Apesar dos números alarmantes, a Comissão de Agricultura do Senado aproveitou a final da Copa do Mundo, o julgamento do Orçamento Secreto no STF e as discussões sobre a PEC do Bolsa Família para aprovar, na surdina, o chamado PL do Veneno.

O Projeto de Lei 1459/2022 chegou a ter sua discussão suspensa logo após a eleição de Lula. A ideia era ampliar a discussão com o novo governo. Porém, o momento propício, com a opinião pública dispersa às vésperas do Natal, acelerou sua votação na comissão.

Se aprovado definitivamente no plenário do Senado agora em fevereiro, o Ministério da Agricultura assumirá o protagonismo na liberação de novos agrotóxicos, colocando a Anvisa e o Ibama como coadjuvantes na análise
dos venenos.

As mortes e intoxicações notificadas entre 2019 e 2022 aconteceram principalmente em lavouras de soja e milho, associadas à pulverização por aviões em grandes fazendas. Lavouras de fumo de pequenos sítios também apresentaram números preocupantes, causados pela aplicação através de bombas costais, que colocam os pesticidas em contato direto com o corpo do boia-fria.

Homens negros são as maiores vítimas devido ao racismo estrutural que expõe esse grupo a trabalhos mais precarizados. E a baixa escolaridade dificulta a compreensão dos perigos associados à aplicação de agrotóxicos.

As tentativas de suicídio associadas aos venenos agrícolas somaram 5.210 casos. Isso se justifica porque alguns agrotóxicos induzem à depressão e a alterações do sistema nervoso, como os carbamatos, usados em mais de 40 culturas no Brasil, incluindo alface e tomate.

Juntos, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul lideram o ranking da intoxicação, com 4.200 casos. Porém, a Organização Mundial da Saúde estima que apenas uma a cada 50 intoxicações tenha sido notificada durante a pandemia.

A dificuldade de locomoção, a falta de conhecimento específico dos profissionais de saúde e a carência de laboratórios para exames favorecem essa subnotificação.

Sabores do Alentejo e...

A seca prejudicou as plantações de azeitona na Europa nesta safra, colhida a partir de outubro. E a estimativa da Casa do Azeite de Portugal é que a produção tenha uma quebra de até 50% em relação a 2021/22. As regiões mais afetadas foram Trás-os-Montes e Beiras. No Alentejo, a quebra foi menor, mesmo com o calor na florada dos olivais.

...aromas de Trás-os Montes

Mas, relaxe: as exportações portuguesas de azeite aumentaram em 2022, e o Brasil foi o principal destino, com alta de 6,5% face a 2021...

Filosofia do campo:

“O Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia/Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia”, Fernando Pessoa - (1888/1935), poeta português.

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