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Festival coloca discussão sobre comunicação e democracia em última mesa do dia | Leonardo Siqueira | Gazeta de S. Paulo
O 2º Festival Literário da Paraíba (Flip) encerrou o segundo dia, na sexta-feira (28/11), com a mesa “Jornalismo, cultura e democracia - A notícia como matéria sensível da democracia”. A necessidade de defender a importância da democracia e a descredibilização do jornalismo foram alguns dos principais assuntos discutidos.
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Participaram do debate a editora-chefe do Diário de Notícias Brasil, Amanda Lima, o diretor do Canal Livre, Fernando Mattar, a jornalista e doutora em Comunicação e Semiótica Joana Belarmino, e o presidente do PCdoB da Paraíba, Jorge Panzera.
Em entrevista à Gazeta, Joana Belarmino relembrou como foram seus nove anos (de 1981 a 1990) na redação do jornal O Norte, que pertencia ao grupo Diários Associados.
Durante sua atuação em João Pessoa, a repórter tinha o fotógrafo como olhos, por ser cega. “O jornalismo é a profissão do olhar, mas também dá escuta”, afirmou Belarmino.
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Para ela, a rotina era desafiadora, precisava fazer as anotações em braille e no gravador e depois datilografava. “Eu não podia ler o que eu escrevia. Tinha que escrever corretamente”.
Uma das matérias que mais marcou a mestra em Ciências Sociais foi o fim da caça de baleias na Paraíba, em 1987. Durante quase quatro séculos, o litoral da Paraíba promoveu a captura do animal em grande escala.
Porém, ouvindo a pressão popular e os ambientalistas, os jornais de João Pessoa realizaram uma intensa campanha contra a atividade baleeira na Paraíba, principalmente O Norte. Até que José Sarney proibiu definitivamente a pesca pela Lei Federal n.º 7.643.
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O efeito das notícias de Belarmino são o impacto que perdeu força discutido durante a quinta mesa do Flip. As Big Techs mudaram o jogo da comunicação e contribuíram para o enfraquecimento do jornalismo e, consequentemente, da democracia.
Quem antes apenas recebia a notícia passou a informar. A internet democratizou o discurso e deu maior visibilidade para temas que rendem clique, independente do conteúdo.
“Essa proliferação de emissoras. Se no passado você tinha uns poucos emissores de notícias, hoje você tem milhões deles. E isso é muito bom, porque democratiza o mundo, a informação. Mas, por outro, você não sabe mais viver confiável”, afirmou Fernando Mattar, diretor do núcleo de reportagens especiais do Canal Livre.
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Para o jornalista, a democracia não é algo garantido. Ele afirma que os telejornais, muitas vezes deixaram de dar uma notícia sobre cultura periférica para colocar uma informação política “protocolar” por conta da audiência.
Já Amanda Lima, editora-chefe do Diário de Notícias Brasil, um portal que informa os brasileiros residentes em Portugal, acredita que os governos populistas de direita contribuíram para o descrédito da democracia com base em uma cartilha internacional.
Ou seja, as manobras políticas adotadas por Donald Trump nos Estados Unidos, como espalhar desinformação, foram replicadas em outros países do mundo, como no início do governo Bolsonaro.
“Tudo bem que talvez a nossa classe cometeu alguns erros pelo caminho, que pode ter contribuído para isso, e que da minha parte faço meia-culpa, mas eu acho que o principal foi o envenenamento desses movimentos”, comentou a também comentarista da CNN Portugal.
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Em Portugal, o discurso de ódio contra o imigrante aumentou, assim como o número de pessoas no exterior. De qualquer forma, Lima defende que atacar o jornalismo é atacar a democracia.
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