Entre em nosso grupo
2
Continua depois da publicidade
Ancestralidade também foi tema da discussão | Divulgação | FliParaíba
A primeira mesa do segundo dia do Festival Literário Internacional da Paraíba 2025 ontouc com grandes nomes da literatura, como o poeta Salviano Santiago, vencedor do Prêmio Camões; a poeta Aline Cardoso; o curador do evento, José Manuel Diogo; e a doutora em Letras pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Bernardina Freire.
Continua depois da publicidade
Durante o evento no Centro Cultural São Francisco, Santiago fez uma provocação. Aos 89 anos, o crítico literário questionou se é possível imaginar um território lusófono sustentado não por fronteiras geográficas, mas pela potência criativa da literatura.
O autor de obras como “Uma Literatura nos Trópicos” e “O Cosmopolitismo do Pobre” revisitou os sentidos de língua, território e cidadania no mundo contemporâneo. Defendeu que o português falado no Brasil deve ser entendido como um idioma em transformação contínua.
A oralidade brasileira é marcada pela mescla de influências indígenas e africanas, reconhecidas de forma mais ampla apenas com o Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa.
Continua depois da publicidade
“O português no Brasil se transformou em uma língua europeia falada por diversas etnias, acolhendo organicamente o bi e o trilinguismo”, afirmou, ao destacar a força da oralidade brasileira em contraste com o predomínio da escrita em Portugal.
Santiago retomou ainda a formação histórica da cidadania no país, lembrando que, desde a Carta de Caminha, os habitantes da colônia eram súditos, não cidadãos.
A crítica mais incisiva recaiu sobre a Constituição de 1824, que excluiu povos indígenas e negros do conceito de cidadania. “Mais do que uma lacuna, essa injustiça foi responsável pela força libertária que impulsionou o grande salto rumo à Constituição de 1988”, afirmou.
Continua depois da publicidade
Em seguida, abordou a ideia de desterritorialização dos Estados nacionais, inspirada em pensadores como Derrida e Deleuze.
“Será que podemos e devemos debater a possibilidade de um território lusófono constituído por uma língua lusófona?” Uma língua franca que, embora sem gramática unificada, seria construída diariamente por escritores de três continentes.
“Não é artificial porque quem a fala e quem a escreve [...] é cidadã ou cidadão do mundo”, disse. Santiago encerrou citando Drummond e a utopia de “uma pátria sem fronteiras, sem leis e regulamentos, uma terra sem bandeiras”.
Continua depois da publicidade
O curador José Manuel Diogo, Aline Cardoso e Bernardina Freire defenderam a língua como espaço simbólico de afeto e pertencimento.
Continua depois da publicidade
Continua depois da publicidade