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O maior clássico natalino do Brasil nasceu em 1932 | Sóc Năng Động/Pexels
O baiano Assis Valente já vivia no Rio de Janeiro em 1932, para onde havia se mudado pouco antes em busca de reconhecimento como compositor. O começo foi bom, conseguindo emplacar canções nas vozes das cantoras mais importantes do País. Mas ele não era um homem feliz, e nunca viria a ser.
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Naquele dezembro, em especial, sozinho no quarto de um hotel carioca, longe da família e dos amigos, bateu uma tristeza sem fim. O sentimento se intensificou ao olhar um quadro na parede, que revelava a imagem de uma menina com os sapatinhos sobre a cama esperando o presente de Natal.
Aquele cenário foi o suficiente para a canção nascer ali mesmo: "Anoiteceu, o sino gemeu / E a gente ficou feliz a rezar / Papai Noel, vê se você tem / A felicidade pra você me dar..."
Os versos de “Boas Festas” revelavam a personalidade de Assis Valente: constantemente amargurado, mas que tentava, quase sempre sem sucesso, fingir que levava a vida com leveza. Os trechos finais desvelam esse estado de espírito: "Já faz tempo que eu pedi / Mas o meu Papai Noel não vem / Com certeza já morreu / Ou então felicidade / É brinquedo que não tem".
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Apesar da melancolia da música – curiosamente cantada até hoje como símbolo de felicidade natalina –, o sambista celebrou o resultado: "Quando passou a tarde, a música estava feita. Papai Noel não tinha vindo, mas eu ganhara um presente – a melhor de minhas composições".
Durante sua vida, ainda criaria outros sucessos absolutos, como "Brasil Pandeiro", "Camisa Listrada" e “E O Mundo Não se Acabou”. Também fez “Cai, Cai, Balão”, que se tornaria um clássico junino.
Em “Felicidade”, Assis Valente traduziu da melhor forma a sua personalidade tão singular:
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“Esperando a felicidade,
Para ver se eu vou melhorar,
Vou cantando, fingindo alegria,
Para a humanidade,
Não me ver chorar”
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