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Sexta, 07 Dezembro 2018 16:24

Presidente do River espera que Libertadores seja '11 de setembro argentino'

Em entrevista ao jornal espanhol El País, Rodolfo D'Onofrio fez duras críticas aos incidentes que tiraram o jogo da Argentina e o levaram à Espanha
Em sua argumentação, D'Onofrio ainda isentou o River de culpa pelos problemas das finais da Libertadores Em sua argumentação, D'Onofrio ainda isentou o River de culpa pelos problemas das finais da Libertadores Diego Haliasz/Prensa River
Por Folhapress
De São Paulo

A Copa Libertadores da América de 2018 chegará a um final neste domingo (9), quando River Plate e Boca Juniors se enfrentarão no estádio Santiago Bernabéu, em Madri, às 17h30 (horário de Brasília). Mas, independentemente de quem ficar com o título, o clássico já é uma grande vergonha para o futebol argentino.

Quem afirma isso é Rodolfo D'Onofrio, o próprio presidente do River Plate. Em entrevista ao jornal espanhol El País, o dirigente fez duras críticas aos incidentes que tiraram o jogo da Argentina e o levaram à Espanha.

Para ele, o sistema de segurança da Argentina fracassou ao tentar garantir a realização da partida, que estava marcada para acontecer no Monumental de Núñez em 24 de novembro.

O jogo acabou adiado após um ataque de torcedores do River ao ônibus da delegação do Boca. O duelo de ida, em La Bombonera, terminou empatado por 2 a 2.

Ao ser perguntado como o clássico seria lembrado no futuro, D'Onofrio não aliviou: "Como uma vergonha, uma tremenda vergonha do futebol argentino".

"É algo incrível. Um sistema de segurança que fracassou, total e absolutamente", afirmou, tentando incluir o caso em um cenário global. "Não é só um problema da Argentina -na Europa, também há episódios de violência. Outro dia, vi uma partida de futebol na Grécia em que não se atiravam pedras, mas mísseis".

Em sua argumentação, D'Onofrio ainda isentou o River de culpa pelos problemas das finais da Libertadores.

"A responsabilidade do River começa dentro do Monumental. Quando o Boca sai de seu hotel, a responsabilidade é da segurança. E isso já foi reconhecido pelas maiores autoridades de segurança da cidade e do país. Ou era a primeira vez que o Boca vinha jogar no campo do River?", questionou.

Apesar da falta de condições de segurança para que Buenos Aires receba o clássico, D'Onofrio reconheceu os esforços do presidente da Argentina, Maurício Macri. Em discurso, o político afirmou que seria possível não apenas realizar um clássico entre Boca e River, como ainda contar com ambas torcidas.

"Ele teve uma intenção saudável de desejar que houvesse público visitante, mas as intenções não se convertem em realidade de um dia para o outro", disse. "Não se pode organizar um Superclássico da noite para o dia. Os estádios de River e Boca não estavam preparados. Roubaram do torcedor do River sua partida, e roubaram dele a possibilidade de ver a grande final. Uma grande final que a torcida do Boca viu em seu próprio estádio."

O mandatário do River afirmou ter "200 ou 250 torcedores" do Boca Juniors que o ameaçam de morte. E assegura que a torcida de sua equipe está toda a seu favor. "Não são os barrabravas, é o povo. Eu nem conheço os barrabravas. Jamais conversei com eles", disse, assegurando não ter nenhuma relação com os torcedores organizados de seu clube.

"Juro por meus filhos. É preciso terminar com esta gente que está comprometida com a política. Em qualquer manifestação, eles estão lá, então os políticos não têm que se fazer de tontos", acrescentou.

Diante dos desdobramentos das finais da Libertadores, D'Onofrio disse torcer para que o futebol argentino passe por um processo de profunda reflexão - semelhante, segundo ele, ao vivido pelos Estados Unidos após os atentados de 11 de setembro de 2001.

"Quero que o que aconteceu seja o 11 de setembro da Argentina", disse, cobrando políticos e dirigentes. "Temos que fazer isso de forma conjunta; sozinho, não se pode fazer nada", acrescentou.

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