últimas notícias

Acervo

‘Enchia mochilas de dinheiro’, diz motorista de ex-diretor da Dersa

O motorista era um dos alvos da Operação Pedra no Caminho, que mira supostos desvios de R$ 600 milhões da Dersa, em obras do Rodoanel Trecho Norte Por Estadão Conteúdo

Às 5h45 do dia 21 de junho, Pedro Alcântara Brandão Filho, 54 anos, motorista, morador da avenida Irecê, no bairro da Guarapiranga, na zona sul de São Paulo, foi surpreendido pela PF batendo à sua porta. “Eles vieram com mandado de busca, né? Aí, o delegado se identificou, falou o que precisava e, aí quando falou que era da Operação Lava Jato… Quero dizer, Lava Jato não, né? Da Dersa, né?”.

Ele era um dos alvos da Operação Pedra no Caminho, que mira supostos desvios de R$ 600 milhões da Dersa, em obras do Rodoanel Trecho Norte. Logo que entraram, todavia, os federais perceberam que não encontrariam a bagatela com o motorista. “Viram que era uma casa humilde, aí eles pediram desculpa e o delegado virou para mim e falou: É, o senhor entrou como laranja”, afirmou.

Braço da Lava Jato em São Paulo, a Pedra no Caminho levou para a cadeia dois ex-dirigentes da Dersa: Pedro da Silva e Laurence Casagrande Lourenço, que chegou a ser secretário de Transportes e Logística do governo de Geraldo Alckmin (PSDB). O motorista diz ter trabalhado para a mulher de Pedro da Silva. “Eu levava as crianças”, conta, referindo-se aos filhos do casal.

Os investigadores queriam saber por que o motorista, que tirava R$ 2 mil por mês, fez depósitos de até R$ 50 mil nas contas de Pedro da Silva - o ex-diretor chegou a girar R$ 50 milhões, segundo dados bancários. É que além das crianças, explicou Pedro, ele supostamente também transportava “valores altos” para o casal. “Já cheguei a encher mochilas”, contou em entrevista exclusiva ao jornal “O Estado de S. Paulo”. O advogado Cássio Cubero, que defende Pedro da Silva afirmou que “a  fundamentação para a prisão de seu cliente é insubsistente”.

Tops da Gazeta