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“PPS deve apoiar sim”, diz Roberto Freire sobre Geraldo Alckmin

Presidente Nacional do PPS, o deputado federal por São Paulo, Roberto Freire, 76 anos, falou sobre a eventual candidatura de Luciano Huck e apoio a Alckmin Por Nely Rossany De São Paulo

Presidente Nacional do PPS, o deputado federal por São Paulo, Roberto Freire, 76 anos, já foi ministro da Cultura no governo Temer, e representa o que classifica como a ‘esquerda moderna’. Em entrevista à Gazeta, Freire falou sobre a eventual candidatura do apresentador Luciano Huck, que o partido chegou a ventilar e sobre o apoio que deve anunciar nos próximos dias ao ex-governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB).

Gazeta de S.Paulo - O PPS chegou a cogitar lançar o apresentador Luciano Huck como candidato à Presidência pelo partido...ele seria o chamado outsider, mas agora o partido deve apoiar Alckmin?

Roberto Freire - Um outsider não significa que iria fazer a campanha sem os partidos chamados tradicionais porque a legislação brasileira dá o monopólio aos partidos participarem das eleições, e mais do que isso, são os partidos detentores do tempo de televisão, de rádios, sem isso, nenhuma democracia faz campanha. Não ter tempo de televisão pode ser fatal em uma candidatura, então mesmo como outsider, ele precisaria agregar partidos mais tradicionais que lhe dessem sustentação. Isso não aconteceu e nós caíamos naquilo que é a política mais tradicional.


GSP - O PPS vai anunciar então o apoio ao Alckmin?

RF - Não sei se vai anunciar. Está tudo encaminhado para isso. Nós vamos fazer a convenção no dia 4 [agosto], no mesmo dia que o PSDB e, em Brasília também.  Provavelmente vamos sair da nossa convenção e ir para a dele anunciando o apoio. Mas se pode dizer que o PPS vai apoiar.


GSP - Um partido que iria apoiar o novo na política, agora apoiar o mais tradicional não é controverso?

RF - PPS não ia apoiar Huck porque era novo ou nunca tinha participado. Era um nome que poderia representar uma opção política importante.  PPS não tem essa visão que tem que ser novo, ou que nunca participou de campanha. Não. Tem que ser bom gestor, ter capacidade política e no caso o Alckmin se enquadra bem nisso porque é um excelente gestor, São Paulo que o diga.


GSP - As pesquisas dizem que o brasileiro está muito insatisfeito com o cenário político atual e até por isso cresceu essa ideia de que um nome de fora da política ganharia força nessas eleições...

RF - O novo é sempre uma coisa muito arriscada também. Não é o fato de ser novo que indica que o País encontra uma solução. Pode ser um desastre. Tem que ter cuidado. A política não é feita na base nem da cronologia, da idade, não é de que se nunca participou. A política envolve uma coisa maior. Você pode ter um novo que está apontando para um desastre. Dilma nunca tinha disputado uma eleição. Tem que ter cuidado, não é necessariamente isso.


GSP - O senhor foi ministro da Cultura e deixou o governo Temer depois da denúncia de que ele estaria envolvido na compra do silêncio de [Eduardo] Cunha. E chegou até apoiar a renúncia dele...

RF - Hoje não faz mais nenhum sentido. Eu saí e acho que agi corretamente porque o partido não tinha mais como continuar ali, mas também quero que frise: a denúncia foi profundamente irresponsável, só que qualquer denúncia que tiver não cabe a gente dizer se segue ou não segue, a Justiça que cuide. E aí não tem bandido de estimação e nem faço blindagem para quem quer que seja.


GSP - Como o senhor avalia o governo Temer?

RF - O governo está ruim. Se perdeu. A partir da denúncia o governo sofreu profundos desgastes, se desorganizou. Perdemos inclusive a aprovação de algumas reformas que o Brasil precisa fazer, não só a reforma da Previdência, a tributária...o Estado brasileiro precisa passar por profundas reformas.


GSP - Qual o principal projeto que o senhor apresentou como deputado federal?

RF - Um dos projetos que está tramitando é baseado muito aqui em São Paulo e trata do Sistema Penitenciário. Você tem algumas cidades no Estado que tem sistemas penitenciários e isso gera sempre algum problema para essas cidades. Eu conheço alguns municípios que inclusive não querem, reclamam muito disso. Então eu pensei em um projeto que destine recursos do Sistema Penitenciário para programas de apoio aos municípios onde tenha a penitenciária. Porque você começa a ter uma população que não é do município, mas que vem em função da Penitenciária que lá existe. Isso tem até umas vantagens, como por exemplo, o aumento da receita do comércio durante a visitação, mas de certa forma traz uma preocupação para a população local. Os serviços recebem uma demanda maior e aí você tem a ideia de criar programas para que os recursos do Sistema Penitenciário não fossem só para fazer penitenciária, mas também para as cidades que têm a penitenciária.


GSP - Se o senhor for reeleito quais as propostas que pretende debater na Câmara?

RF - Vou aproveitar para discutir várias reformas como a reforma do Judiciário. Como a de que o ministro do Supremo tenha mandato. Que não seja vitalício. Encerraria a vitaliciedade dos atuais e a partir de qualquer novo, teria o mandato.


GSP - De quantos anos?

RF - Dez anos.


GSP - Mas continuaria sendo indicado pelo governo?

RF - Não é pelo governo. Ele é indicado pelo presidente e aprovado pelo Senado, não tem mecanismo melhor do que esse. O problema não é do mecanismo. Você tem maus ministros porque escolheu mal, ou quis escolher exatamente aqueles que não são bons juízes, mas muito provavelmente seriam bons aliados. Como você explica alguém que não passou em concurso para juiz possa ser alçado a categoria de ministro da mais alta corte do País.


GSP - Antes do impeachment de Dilma vimos o Brasil divido entre duas ideias antagonistas, os prós e contra o PT. E agora vemos candidatos com ideias extremistas, como o Bolsonaro. O senhor vê a democracia em risco?

RF - O próprio PT se voltasse ao poder hoje, a democracia brasileira estava em risco. Porque aquilo que ele pensou em fazer e não fez, vai fazer. Vai regulamentar mídia, dizendo que não é censura, mas é. Isso tudo é pauta bolivarianista, que o PT defende. Como foram lá no Foro [de São Paulo] defender a ditadura de [ Nicolas] Maduro [na Venezuela]  e de [ Daniel] Ortega [na Nicarágua], porque ele acha que aquilo ali é importante. A ditadura ruim é de Bolsonaro e Bolsonaro acha ruim essas, mas aí é uma questão de coloração política. E o que a gente precisa afirmar no Brasil é que qualquer ditadura é abjeta não importa sua ideologia. Vamos juntar forças democráticas para impedir ou o bolsonarismo ou o lulopetismo.


GSP - O senhor está otimista com as eleições. O Brasil vai voltar a crescer?

RF - Olha sou otimista sempre. Você não pode imaginar que o País vai mudar se eu não lutar em prol disso. Uma eleição pode e vai dar resultados positivos. Mas pode até dar um desastre. Quero dizer que se volta o PT ou Bolsonaro, não há condições de governar. Um candidato a presidente que é incapaz de escolher um vice-presidente, que incapacidade é essa? Precisa ter articulação política. Se não consegue formar sua chapa vai formar um governo? E as pessoas que votam nele acham que é muita esperteza, mas não é. Espero que as eleições tenham um bom resultado.

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