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Candidata do MDB ao Senado diz que liberação do aborto só servirá aos ricos

A psicóloga Cidinha Raiz exalta o fato de ser mulher e negra como características que lhe darão sensibilidade para tratar de questões ligadas a gênero e raça Por Folhapress De São Paulo

Candidata do MDB ao Senado por São Paulo, a psicóloga Cidinha Raiz exalta o fato de ser mulher e negra como características que lhe darão sensibilidade para tratar de questões ligadas a gênero e raça.

Cidinha vai na contramão de uma das causas feministas, a flexibilização das leis do aborto, mas relativiza o feminismo. "Enquanto elas estavam queimando sutiã tinha uma negra cuidando da casa e do filho delas, mas não foi beneficiada com carteira de trabalho assinada", afirma.

A candidata defende que a mulher tem de ser responsável pelo próprio corpo e que é preciso educar a juventude sobre como respeitar as mulheres e usar métodos contraceptivos.

O que pensa do aborto?

Raiz - As mulheres falam hoje que elas morrem porque vão em clínicas clandestinas. Mas o que a gente sente é que quem está puxando essa campanha são mulheres ricas. Jovens ricos que querem fazer o que bem entendem com o seu corpo sem ter responsabilidade.

Hoje tem informação na internet, tem camisinha em qualquer lugar e pílula. Achar que governo é responsável pelo corpo da mulher é um equívoco. A lei já prevê casos em que foge à responsabilidade da mulher, como estupro. Sou pela educação, por educar os meninos para respeitar as mulheres.


Sua presença na chapa tem sido muito valorizada pelo partido como sinal de diversidade. Como é se colocar como candidata mulher, sem defender a flexibilização do aborto, que é uma bandeira feminista?

Raiz - Quem defende legalização é quem quer [fazer aborto no] Einstein e sair pela porta da frente sem responder por crime. As negras pobres de periferia, meninas do funk que se relacionam com dez meninos por noite, vão continuar engravidando e morrendo. Mesmo se fizerem aborto, não têm como bancar medicação, repouso uma série de coisas. O que dá conta disso é educação.

As feministas dizem que salvaram as mulheres queimando sutiã nos anos 60. As mulheres negras desde 1540 lutam por liberdade. É o feminismo negro. Enquanto elas estavam queimando sutiã, tinha uma negra cuidando da casa e do filho delas, mas não foi beneficiada com carteira de trabalho assinada. Quando fiquei grávida, tive problemas com o pai do meu filho e as pessoas perguntavam se eu ia abortar. Eu teria perdido a oportunidade de conviver com alguém brilhante, que é meu filho.


E as drogas? O que pensa?

Raiz - Se liberar, abre um espaço que ninguém sabe onde vai dar. Ninguém garante que vai acabar com o tráfico. Tem que trabalhar os jovens para ficar longe das drogas.

Mas o uso medicinal precisa liberar. Teve mãe que precisou traficar o tratamento da canabis para o filho que tinha espasmos da epilepsia mais severa. Eles conseguiram importar como medicamento. Cada erva tem um princípio ativo, mas tem que fazer pesquisa porque sem isso não há como dizer se isso serve e para que serve. Se em algum lugar no mundo já tem alguém que avançou um pouco, temos que trazer essa tecnologia e fomentar isso para tirar do sofrimento pessoas que têm algum tipo de deficiência.


O candidato ao governo Paulo Skaf exalta muito o seu nome na chapa dele como primeira mulher negra disputando o Senado por São Paulo. A senhora tem receio de que a sua imagem esteja funcionando como embalagem de outra candidatura?

Raiz - Nenhum receio. Conheço Paulo Skaf desde 2006. Eu tinha um projeto dentro de uma favela e precisava de apoio para bancar. Enviei uma carta para a Fiesp pedindo ajuda. Na minha inocência na época, achei que uma carta bastasse. Me negaram e, por isso, eu aprendi que precisa ter documentação, CNPJ, histórico.

Também fiz atletismo amador e participei de corridas patrocinadas pelo Sesi. Por tudo isso eu sempre estive ligada indiretamente à Fiesp e ao Paulo Skaf.

Neste ano, eu estava como pré-candidata a deputada estadual, aí fiz uma pergunta para Skaf numa conversa. Ele prestou atenção nas minhas ponderações e pediu meu currículo. Ele gostou e foi falar com o partido. Já tinha uma vice mulher, Carla Basson, e faltava a Marta Suplicy decidir se ia se candidatar à outra vaga ao Senado. Mas mesmo assim, ele resolveu bancar. Já tinha mulher branca na chapa, mas ele resolveu trazer uma mulher negra.

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