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Após décadas abandonado, casarão histórico é recuperado no interior de SP

O Palacete Jorge Lobato, construído em 1922, passou por restauro e hoje é exemplo raro de revitalização do patrimônio arquitetônico de Ribeirão Preto Por Folhapress

Depois de décadas de abandono, um casarão histórico ressurge dos escombros em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. O Palacete Jorge Lobato, construído em 1922, passou por restauro e hoje é exemplo raro de revitalização do patrimônio arquitetônico da cidade.

Isso porque boa parte dos imóveis que foram tombados pelo Conpacc (Conselho de Preservação do Patrimônio Cultural) do município tem futuro incerto. Sem investimentos por parte dos proprietários, as casas antigas -maioria construída no início do século 20, período de ouro do ciclo do café na região- estão deterioradas por causa da ação do tempo, dos vândalos e da burocracia.

Até mesmo os museus Histórico e do Café, os principais de Ribeirão, estão fechados por problemas estruturais.

"Pra muita gente, patrimônio tombado é um mico, porque valeria muito mais se não precisasse ser preservado. Nosso objetivo é mostrar justamente o contrário", diz Hector Sominami Lopes, engenheiro civil e atual proprietário do palacete que hoje funciona como um centro cultural.

Recuperado, o imóvel está aberto para visitas agendadas desde outubro do ano passado, e também recebe regularmente desde então exposições, palestras, feiras e já foi cenário de ensaios fotográficos e vídeo clipes de bandas de pop rock.

O próximo passo, diz Lopes, é transformá-lo num restaurante e café. "Queremos provar que é possível viabilizá-lo comercialmente".

Com uma área de 2.000 metros quadrados, sendo 650 metros quadrados de construção, o imóvel de dois andares situado no centro de Ribeirão estava fechado desde 1992. O tombamento pelo Conppac em 2008 não freou o processo de deterioração.

Lopes ainda vivia no Rio quando soube que o casarão estava à venda. Em 2015, voltou à terra natal e se uniu a irmã arquiteta Ingrid Sominami para fechar negócio e dar início ao projeto.

Logo foram feitas obras emergenciais como a recuperação do teto, descupinização e até mesmo a retirada de dezenas de gatos que viviam no local.

A família não divulga valores, mas a restauração que durou dois anos incluiu a contratação de uma empresa de Campinas especialista em recuperação de bens históricos.

"Foram feitos testes de laboratório com o material do casarão para sermos fieis ao projeto original. Repetimos até mesmo a metodologia de construção", diz o engenheiro.

Os irmãos contaram com o apoio de professores e alunos de um curso de arquitetura local para um levantamento histórico e arquitetônico do palacete.

"Além das pesquisas, organizamos visitas abertas ao patrimônio porque as pessoas passavam em frente e queriam saber o que estava sendo feito. Havia um interesse enorme da população", conta a professora Rita Fantini, uma das coordenadoras da equipe.

Jorge Lobato foi um engenheiro e político atuante, genro de um dos "barões do café", Joaquim da Cunha Diniz Junqueira, o coronel Quinzinho.

Graças aos estudos, segundo Fantini, descobriu-se que o palacete onde vivia era mais moderno do que se imaginava. "Trata-se de um exemplar do movimento neocolonial, surgido pra confirmar a nossa identidade nacional. Um desejo de se criar uma arquitetura brasileira."

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