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MP acusa vereadores de usar dinheiro público em boate

Cinco parlamentares de pequena cidade do Interior de SP, quatro deles casados, são alvo de ação do MP-SP por gastos em casa noturna Por Estadão Conteúdo

O Ministério Público de São Paulo acusa cinco vereadores de Iacanga, município do interior de São Paulo, por improbidade administrativa. Na ação, o promotor Rodrigo de Moraes Molaro afirma que os parlamentares – quatro casados e um solteiro – pagaram despesas em uma casa noturna na Capital com dinheiro público.

A Promotoria relata que, em 27 de junho de 2017, os vereadores Dorival Ferreira (PSB), o “Dori”, Vagner Crepaldi (PTB), o “Galego”, e Leonel Roma (PV) viajaram a São Paulo em “missão oficial”. Iacanga, com cerca de 12 mil habitantes, fica a 376 quilômetros da capital paulista, na região de Bauru, interior do Estado.

A Câmara de Iacanga tem nove vereadores, três mulheres e seis homens, dos quais cinco participaram da farra.

“Segundo explicaram (os acusados), tinham compromissos junto à Assembleia Legislativa do Estado. Por isso, fizeram uso de veículo da Câmara de Vereadores e todas as despesas foram custeadas pelo Legislativo local”, narra o promotor.

“Na prestação de contas, apresentaram um comprovante de despesa no valor de R$ 340 do estabelecimento comercial Curaçao Blue Bar e Restaurante, de nome comercial Bomboa.”

De acordo com a ação, “o valor da nota foi restituído ao vereador Dorival Ferreira, que havia feito o pagamento integral da despesa em benefício próprio e dos outros dois colegas”.

Em 13 de junho de 2018, os vereadores Dorival Assis (PR), o “Sargento Assis”, Vagner Crepaldi e Rafael Sedemak (SD) também se deslocaram a São Paulo em missão oficial. A Promotoria relata que, desta vez, receberam R$ 1,5 mil “a título de adiantamento das despesas de viagem”. “Trilhando o mesmo caminho da viagem anterior, o trio também foi ao Bomboa. A conta foi de R$ 370, valor pago com o dinheiro público que receberam de maneira adiantada”, afirma o Ministério Público.

A Promotoria aponta que nas duas notas fiscais, de 2017 e de 2018, os vereadores “indicaram o CNPJ da Câmara Municipal de Iacanga, já pensando na prestação de contas”. Segundo o promotor, “isso fez com que as duas despesas ficassem registradas no sistema Nota fiscal paulista”.

Segundo a Promotoria, “embora formalmente o estabelecimento Bomboa se apresente como um restaurante, uma pesquisa rápida na internet revela o forte apelo erótico do local”.

“É fácil perceber que a nudez feminina é o tema central, em meio a frases apelativas como ‘noite do biquini’ e ‘noite da coelhinha’. Aliás a tal festa junina a que faz referência o primeiro cartaz ocorreu no dia 27 de junho de 2017, justamente a data da primeira viagem dos vereadores. Coincidência ou não, a viagem de 2018 também foi no mês de junho”, relata a Promotoria. Os vereadores não se manifestaram sobre o caso.

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