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Não tememos retaliação do crime, diz coronel da PM que chefiará presídios sob Doria

Nivaldo Restivo afirmou que a prioridade da da sua gestão será a "ampliação e melhora" do sistema prisional paulista e que não deixará de tomar medidas com medo de retaliação dos presos Por Folhapress De São Paulo

O novo secretário da Administração Penitenciária paulista, o coronel da Polícia Militar Nivaldo Restivo, afirmou nesta segunda-feira (10) que a prioridade da da sua gestão será a "ampliação e melhora" do sistema prisional paulista e que não deixará de tomar medidas com medo de retaliação dos presos.

Restivo, cuja escolha foi adiantada pelo jornal Folha de S.Paulo, foi anunciado nesta segunda. Além dele, o governador eleito de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou também Aildo Ferreira para chefiar a pasta de esportes.

Nivaldo Restivo, 53, é ex-comandante da Rota, a tropa de elite da PM paulista. Ele assume o cargo em um momento tenso, em que o Ministério Público pediu transferência de lideranças do PCC (Primeiro Comando da Capital), incluindo seu líder máximo, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola.

O secretário afirmou que precisa se inteirar ainda da situação para se manifestar se é contra ou a favor da transferência. "A movimentação se justifica quando você tem um fator determinante para disso", disse.

Ele adiantou, porém, que a possibilidade de eventuais reações do crime organizado não vai pesar na decisão. "A relação infrator e estado sempre é tensa. O estado não pode deixar de adotar providências necessárias ao bem-estar da população por temor a retaliação do crime organizado. Isso não vai acontecer", disse.

Restivo reconheceu o déficit de vagas no sistema prisional e diz que o aumento da capacidade, por meio de parcerias público-privadas, será prioridade. Ele também afirmou que outra prioridade será desafogar o sistema prisional, por meio do oferecimento de benefícios aos quais os presos têm direito e audiências de custódia.

Já Aildo Ferreira é membro do PRB e chegou a comandar a campanha do correligionário Celso Russomanno à Prefeitura de São Paulo nas últimas eleições municipais, que acabaram na ocasião com vitória de Doria.

Aildo foi chefe de gabinete na pasta de Esportes na gestão de Geraldo Alckmin (PSDB). Em 2016, foi demitido pelo governador devido às denúncias de que estava pedindo contribuições para o partido a funcionários comissionados.

"Não houve demissão do Aildo vinculado a nenhum ato de corrupção. Ele pediu exoneração. O Aildo atuou e atuou bem durante dois anos desenvolvendo política de esportes", disse Doria.

Doria disse que seu governo terá 20 secretarias (atualmente são 25). Sendo assim, pelo menos 1/4 dos secretários serão membros da equipe de Temer. O governador eleito ainda anunciará o secretário da Fazenda.

Os ministros Gilberto Kassab (Casa Civil), Rossieli Soares (Educação), Sérgio Sá Leitão (Cultura), Alexandre Baldy (Transportes Metropolitanos) e Vinicius Lummertz (Turismo) serão também secretários estaduais a partir do próximo ano.

AJUDA FEDERAL

O presidente Michel Temer (MDB) afirmou nesta segunda que está disposto a colaborar com a transferência para presídios federais de chefes da facção criminosa PCC.

Após evento no Palácio do Planalto, ele disse não saber a dimensão ou as consequências de ameaças feitas em cartas, apreendidas pela polícia paulista, com ordens de assassinatos caso os presos sejam deslocados.

O alvo principal do ataque seria o promotor Lincoln Gakya, responsável pelo pedido de transferência. Entre os presos, está o principal líder do grupo criminoso, Marco Camacho, o Marcola.

"Essas ameças não sei nem qual a dimensão delas e não saberia responder agora qual a consequência", disse o presidente.

O promotor pediu a transferência após a descoberta de um plano de resgate pelo setor de inteligência da Secretaria de Administração Penitenciária de São Paulo.

Se for concedida a autorização, a ordem judicial é encaminhada ao governo federal para que providencie vagas em uma das cinco penitenciárias federais, localizadas em Roraima, Rio Grande do Norte, Mato Grosso do Sul, Paraná e Distrito Federal.

"A União está disposta a colaborar com isso. Nós colocamos aviões da FAB (Força Aérea Brasileira), se for necessário, para a transferência. Está havendo negociação entre a União e os estados", disse.

Temer disse ser favorável à medida caso ela se mostre a mais adequada para garantir a segurança das unidades prisionais.

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