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Cade recomenda punição de 16 empresas por cartel em SP

Se condenadas, as empresas terão que pagar multas de até 20% do valor de seu faturamento e as pessoas físicas valores entre R$ 50 mil e R$ 2 bilhões Por Folhapress

A superintendência do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) recomendou a condenação de 16 empresas e 52 pessoas físicas por formação de cartel em licitações de trens e metrôs em São Paulo.

O mesmo esquema, que começou a ser investigado em 2013, a partir de um acordo de leniência com a Siemens, atingiu também licitações no Distrito Federal, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

O documento que recomenda a condenação foi assinado nesta terça-feira (11), e segue para análise do tribunal do Cade, que é responsável pela decisão final.

Se condenadas, as empresas terão que pagar multas de até 20% do valor de seu faturamento e as pessoas físicas valores entre R$ 50 mil e R$ 2 bilhões.

As provas que foram sendo colhidas ao longo da investigação do conselho concluíram que empresas e funcionários interferiram no resultado de 27 projetos relacionados a licitações.

"Os participantes dividiram licitações e combinaram valores das propostas comerciais a serem apresentadas nos certames. A implementação das estratégias anticompetitivas teria incluído, por exemplo, institutos formalmente legais, como a formação de consórcio e a subcontratação, para dar uma aparência de competição ao cartel", afirma texto divulgado pelo Cade.

PRINCIPAIS CASOS

Em 1998, segundo o Cade, as empresas Siemens, Siemens AG, Alstom, Alstom Transport, DaimlerChrysler (atualmente Bombardier), CAF, Mitsui e TTrans teriam combinado dividir o escopo da licitação da linha 5 do metrô de São Paulo.

A partir do início dos anos 2000, esses acordos se expandiram para as licitações referente aos projetos da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) para manutenção e, posteriormente, aquisição de trens.

De acordo com o conselho, em 2005 as empresas Alstom, Siemens, TTrans, Bombardier e Balfour Beatty teriam começado contatos que afetaram a concorrência da licitação do projeto de extensão da linha 2 do metrô de São Paulo.

Esse acordo ilícito previa a formação de dois consórcios para dividir o certame: o Linha Verde (formado por Alstom e Siemens) seria o vencedor.

Outros casos em que o cartel teria agido, de acordo com o Cade, foram certames para expansão de malha e manutenção de vias da CPTM no projeto Boa Viagem, aquisição de carros para a CPTM, reforma das linhas 1 e 3 do metrô de São Paulo, manutenção de trens do metrô do Distrito Federal e aquisição de trens para os metrôs de Porto Alegre e Belo Horizonte.

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