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Ex-corregedor da Fazenda de SP vira réu sob acusação de lavagem de dinheiro

Na casa da ex-mulher de Marcus Vannucchi, a Polícia Civil encontrou US$ 180 mil e 1.300 euros em espécie numa sala escondida dentro da residência, que fica em Itatiba (SP) Por Folhapress De São Paulo

A Justiça de São Paulo aceitou denúncia e tornou réus Marcus Vinícius Vannucchi, ex-corregedor da Secretaria da Fazenda, e sua ex-mulher, Olinda Amaral Vannucchi, sob acusação de prática dos crimes de lavagem de dinheiro e ocultação de bens.

Marcus Vannucchi está preso desde o último dia 6. Inicialmente sob detenção temporária, a prisão foi convertida no último dia 14 em preventiva (sem tempo determinado). No dia 7, Olinda também foi presa.

A decisão de aceitar denúncia do Ministério Público de São Paulo foi publicada nesta terça-feira (18). Segundo a Promotoria, eles teriam escondido dinheiro com origem ilegal.

Na casa de Olinda, a Polícia Civil encontrou US$ 180 mil (cerca de R$ 693 mil) e 1.300 euros (cerca de R$ 5.640) em espécie numa sala escondida dentro da residência, que fica em Itatiba (a 84 km da capital).

A sala, tratada pelos policiais como um "bunker", só podia ser acessada por meio de controle remoto. Parte do valor estava em um fundo falso de um móvel.

O ex-corregedor ainda é investigado sob suspeita de cobrar propina para não apurar casos de corrupção envolvendo funcionários públicos e empresas. A promotoria desconfia que a separação de Marcus e Olinda foi de fachada para que ele escondesse seu patrimônio.

"Sobram evidências de que todo aparato tecnológico que se destinou à finalidade espúria de esconder tais valores foi 'arquitetado' por Marcus Vinícius Vannucchi, que necessitava de um cômodo destinado a ocultar os valores ilicitamente por ele obtidos, instalando na residência que ficou em nome da sua 'ex'-esposa (que, em verdade, nunca foi 'ex'. É sua esposa de fato)", relata a denúncia elaborada pelo Gedec (Grupo Especial de Repressão a Delitos Econômicos).

Vannucchi estava no cargo desde 2016, nomeado no governo Geraldo Alckmin (PSDB), e foi afastado no último dia 2, a sete meses do fim de seu mandato, sob a justificativa de que "o próprio servidor apresentou à administração pedido para que cessasse sua designação, em razão de questões de ordem familiar".

Segundo o promotor de Justiça Marcelo Mendroni, após a ordem de prisão ser lançada, "por motivos que não sabemos, coincidência ou não, ele foi exonerado do caso de corregedor".

As investigações do Ministério Público apontaram que, após ele assumir o cargo, sua família teve uma "absurda evolução patrimonial". Foram comprados 65 imóveis, parte deles foi negociada.

A mãe do ex-corregedor, uma professora, variou patrimonialmente R$ 2 milhões em 2016; a ex-mulher, entre 2012 e 2018, variou R$ 7,5 milhões; e o filho, que nunca trabalhou formalmente, R$ 1 milhão.

Procurado, o advogado do ex-corregedor, Salo Kibrit, nega que seu cliente tenha cometido crimes e pede a liberdade provisória dele na Justiça.

Ele afirma que Marcus Vannucchi já havia aberto há dois anos, espontaneamente, seus sigilos bancário e fiscal ao Ministério Público.

Em depoimento, após ser preso, o ex-corregedor disse que US$ 20 mil era de sua mulher e o restante do seu padrasto e que aquele dinheiro foi guardado no local por motivos de segurança.

Também disse que não existiu um esquema de corrupção dentro da Secretaria da Fazenda porque seria impossível, já que exigiria um conluio com outros corregedores e com o próprio secretário.

A reportagem não conseguiu localizar a defesa de Olinda Vannucchi.

Como a Folha de S.Paulo revelou, Vannucchi abriu processos administrativos contra servidores que se dispuseram a informar ao Ministério Público suspeitas de irregularidades dentro da Secretaria da Fazenda.

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