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Centro de tecnologia em Piracicaba desenvolve novas gerações de cana resistentes às pragas

O centro mira duas novas gerações da planta, uma delas com o objetivo de resistir a uma praga que gera prejuízos estimados em R$ 4 bilhões por safra ao setor sucroenergético Por Folhapress

O Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) já havia obtido em 2017 aprovação para uso comercial da primeira cana geneticamente modificada no mundo, variedade resistente à broca. Mariposa que se alimenta dos canaviais, a broca gera prejuízos de R$ 5 bilhões por safra.

No ano passado, o açúcar resultante dessa variedade foi aprovado por organismos internacionais de credibilidade científica, como o FDA (Food and Drug Administration), agência americana de fiscalização e regulamentação de alimentos e remédios.

O CTC mira agora duas novas gerações da planta, uma delas com o objetivo de resistir a uma praga que gera prejuízos estimados em R$ 4 bilhões por safra ao setor sucroenergético. O centro, com sede em Piracicaba (a 160 km de São Paulo), iniciou a segunda geração, que terá de 8 a 10 variedades de cana não só resistentes à broca, mas também tolerantes a herbicidas.

E já projeta a terceira geração, ainda em fase preliminar, que tem como objetivo combater o besouro Sphenophorus levis, conhecido como bicudo, que causa danos na cana em desenvolvimento e reduz a vida útil dos canaviais.

"O Sphenophorus gera R$ 4 bilhões de prejuízo por safra e, se perguntar a qualquer usina, ela dirá que tem mais medo dele do que da broca. A broca é homeopática e o Sphenophorus é uma pancada gigantesca onde atinge. Ou seja, ao mesmo tempo desenvolvemos variedades para inserir genes cada vez mais resistentes a doenças para que possamos inserir nas melhores variedades possíveis", diz o presidente do CTC, Gustavo Leite.

Há uma série de variedades na mesma geração devido às condições de clima, solo e época de plantio da cana e propensão à colheita precoce, intermediária ou tardia.

Elas buscam melhorar condições como a resistência, a maturação e o teor de sacarose da planta.

Duas das variedades da primeira geração já foram aprovadas pela CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) e há seis que foram transformadas - genes foram inseridos no DNA da planta -e estão em diferentes estágios.

Uma já foi entregue à CNTBio e as outras devem ser enviadas entre dois e três anos.

São, segundo Gustavo Leite, variedades próprias e de outros institutos, como Ridesa (Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroenergético).

Já a segunda geração, tolerante à broca e a herbicidas, começou a ser desenvolvida no fim do ano e terá de 8 a 10 variedades. Elas estão em testes preliminares, ou seja, ainda não foram ao campo.

A terceira geração, por sua vez, depende de identificação de genes para combater o bicudo, a segunda principal praga da cana.

O CTC é uma empresa com foco em pesquisa, desenvolvimento e venda de variedades de cana, que neste ano completa 50 anos.

Nascido como uma unidade de pesquisas da Copersucar, em 1969, o centro de tecnologia passou a ser uma associação com participação dos principais grupos brasileiros do setor sucroenergético em 2004. Em 2011, o CTC se transformou em empresa.

O BNDESPar (braço de participações do banco) tornou-se acionista em 2014.

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