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Sábado, 26 Outubro 2019 08:58

Intolerância religiosa cresce no estado de São Paulo

Os casos de intolerância religiosa tiveram alta de 100% no estado de São Paulo em 2019; Embu das Artes, Taboão e Itapecerica lideram lista
As celebrações no terreiro Ogun d´Lei acontecem a cada 15 dias, na estrada Kizaemon Takeuti, nº 513 no Jardim Clementino, em Taboão As celebrações no terreiro Ogun d´Lei acontecem a cada 15 dias, na estrada Kizaemon Takeuti, nº 513 no Jardim Clementino, em Taboão Flavio Corvello/Futura Press
Por Matheus Herbert
De São Paulo

As cidades de Embu das Artes, Taboão da Serra e Itapecerica da Serra, na região sudoeste da Grande São Paulo, lideram os casos de intolerância religiosa no estado de São Paulo. Em 2018, os três municípios registraram 23 casos. Já de janeiro a setembro deste ano, as delegacias registraram 55 casos de intolerância religiosa. A alta é de cerca de 139%. Os dados foram obtidos com exclusividade pela Gazeta, através da Lei de Acesso à Informação (LAI).

A alta nos casos de intolerância religiosa aconteceu em todo o Estado. Nos primeiros nove meses deste ano foram 70 registros. Já no ano passado, 35, o que representa um aumento de 100% (veja arte abaixo com as cidades que registraram os crimes neste ano).

Municípios como Jacareí e Itapeva, ambos no interior paulista, e Ubatuba, no litoral norte, registraram um caso de intolerância neste ano. A cidade de Diadema, na região do ABC Paulista, registrou dois crimes de intolerância religiosa neste ano.

Um dos crimes registrados na Grande São Paulo este ano foi o ataque ao terreiro de umbanda Ogum d'Lei, em Taboão da Serra. Em agosto, a Gazeta noticiou que o local foi alvejado por bombas durante uma celebração que reunia cerca de 40 pessoas. "Todos ficaram assustados, principalmente as crianças. Jogaram quatro bombas, estilo aquelas que usam em festas juninas. Foi uma explosão forte. Não quebrou nada, mas tivemos um prejuízo moral. Trabalhamos com a caridade e o amor. É um ataque claro de intolerância religiosa", disse Danilo Pollon, Ogan da Casa, à Gazeta na época.

De acordo com a lei, intolerância religiosa é o ato de discriminar, ofender e rechaçar religiões, liturgias e cultos, ou ofender, discriminar e agredir pessoas por conta de suas práticas religiosas e crenças.

Para Edin Abumanssur, doutor em Ciências Sociais pela PUC-SP e pesquisador em Sociologia da Religião, a intolerância é baseada no desconhecimento, o que gera medo e rejeição. "Pelo simples fato de eu não conhecer e não ter informações sobre aquele ritual, eu tomo atitudes agressivas. Boa parte dessas agressões acontece justamente com religiões afros. Eu não vejo intolerância com budistas ou judaicos, por exemplo", afirma.

Assim como Edin Abumanssur, o babalorixá Diego Montone, de 33 anos, presidente do movimento "O Brasil Contra a Intolerância Religiosa", diz que a intolerância sempre existiu, porém agora está mais presente. "Sempre houve intolerância, mas agora esse governo deixou ela mais escancarada. Um governo de ódio, conservador e que não respeita, fez com que as pessoas se sentissem no direito de atacar as outras, por simplesmente não terem a mesma crença", disse Montone.

O babalorixá, que tem um terreiro na Mooca, zona leste da Capital, disse que só esse ano sofreu cinco grandes ataques. "Jogam óleo na minha porta e portão, colocam sal também. Dizem que é para expulsar os demônios que habitam aqui. É um prejuízo grande para nós, que precisamos dar manutenção ao local, além do prejuízo moral".

Os casos de intolerância religiosa na Capital também subiram, passando de sete em 2018, para oito, até setembro deste ano, alta de 14%.

Ataque faz terreiro mudar de bairro

Ataques e ameaças fazem com que constantemente os terreiros mudem de endereço. O terreiro de umbanda Ogum d'Lei, que antes realizava suas celebrações na rua Irmã Ana de Lourdes França, no bairro Sítio das Madres, agora mudou para o Jardim Clementino, após ser atacado em agosto.

"O ataque assustou todos. Infelizmente temos que lidar com isso e tivemos que mudar. Muitos saem com bíblias debaixo do braço e ninguém olha. Agora, se sairmos com as nossas roupas todos ficam olhando assustados. Tudo isso é gerado pela ignorância. Não somos demônios, nós cultuamos o amor", disse Marcos da Silva, de 24 anos e que frequenta o terreiro Ogum d'Lei.

"Quando contei para uma amiga antiga que frequento a umbanda, ela simplesmente parou de falar comigo. Hoje, se ela me vê, atravessa e passa pela outra calçada. É triste, machuca", disse Sandra Marcondes, de 46 anos, que também frequenta o local.

Casos podem ser denunciados no Disque 100

Em 2018, o Disque 100 (Disque Direitos Humanos) recebeu 506 denúncias de intolerância religiosa no Brasil. Os dados foram divulgados pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), em junho deste ano. A religião que mais sofreu intolerância religiosa foi a umbanda (72 denúncias). Em seguida, vieram o candomblé (47), as testemunhas de Jeová (31), as matrizes africanas (28) e alguns segmentos evangélicos (23).

O levantamento também apontou que as cidades campeãs de casos são Natal, com 191 casos, seguido de São Paulo, com 91, e Rio de Janeiro com 61. Desde 2015, Natal lidera o ranking e as outras duas regiões revezam o segundo e terceiro lugar.

De acordo com o Ministério, a liberdade religiosa é um princípio assegurado na Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948. O documento é a garantia de que todas as pessoas podem, também, defender a sua crença e proferir publicamente as suas convicções religiosas ou não religiosas.

Mapa Intolerância religiosa web

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